coluna

Coluna Dan Kawa: Juro baixo é bom, mas impõe desafio ao investidor

Volatilidade nos mercados vai continuar, diz ex-ministro

Para Luiz Carlos Bresser-Pereira, no entanto, volatilidade não deve se transformar em crise maior

Luciana Xavier e Célia Froufe, da Agência Estado,

30 de julho de 2007 | 14h37

A volatilidade nos mercados globais deve continuar por mais tempo, na avaliação do economista Luiz Carlos Bresser-Pereira, ex-ministro da Fazenda e professor emérito da Fundação Getúlio Vargas. Para ele, no entanto, ela não deve se transformar numa crise maior nem afetar substancialmente a liquidez global, que tem se mantido forte nos últimos cinco anos.  Veja também: Ouça a íntegra da entrevista com o ex-ministro   "A liquidez é brutal, nunca vi isso na história da humanidade", afirmou, em entrevista à Agência Estado. Segundo ele, apenas uma crise global poderia reverter essa situação de bonança. "Mas não há crise", acrescentou.  Na semana passada, os mercados registraram fortes perdas, que podem chegar a US$ 100 bilhões. Nesta segunda-feira, 30, as bolsas tentam recuperação, mas o clima ainda é de cautela.  Para Bresser, o motivo da turbulência atual nos mercados é a preocupação com os empréstimos imobiliários de maior risco nos Estados Unidos, o subprime. Ele acredita, no entanto, que esse não deve ser visto como único foco de temor em relação à economia americana. "É o motivo imediato. Mas há outro motivo mais amplo e mais grave, que é o enorme déficit comercial e em conta corrente nos Estados Unidos e a gradativa perda de condição de moeda reserva do dólar americano", explicou.  Grau de investimento Ao comentar a conjuntura econômica do Brasil, o economista afirmou que classificação do País como grau de investimento deve vir, mas não "muda nada". "O Brasil não vai melhorar nem piorar por causa disso."  Atualmente, o Brasil está a apenas um degrau do chamado investment grade pelas agências de classificação de risco Standard & Poor's e Fitch e a dois degraus pela Moody's.  Segundo Bresser, essa classificação serve para trazer mais investimentos para o País, mas, na sua opinião, "o Brasil não está precisando de mais investimento". "A quantidade de investimento que está vindo para o Brasil é enorme", comentou. Bresser rebateu a opinião de alguns analistas de que o Brasil vive um de seus melhores momentos, uma fase dourada. "Isso é ridículo. Estamos crescendo ridículos 3,5% ao ano", disse. Para ele, o Brasil viveu fases douradas em outras épocas, como os anos 30 ou anos 70, do milagre econômico, quando o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) chegou a bater 11%.  Para Bresser, o País não soube e não está sabendo aproveitar o bom momento de liquidez internacional dos últimos cinco anos e por isso continua atrás de outros países emergentes em termos de crescimento. "Não digo que a economia brasileira está estagnada, mas semi-estagnada desde 1994. E isso decorre de uma política equivocada baseada numa taxa de juros ainda escandalosamente alta e uma taxa de câmbio muito apreciada", argumentou o ex-ministro.  Câmbio O economista disse ainda que o Brasil vive uma fase de "populismo cambial", com dólar pressionado pelas exportações de ferro, madeira e outras commodities. Para Bresser, é difícil dizer qual seria o piso ideal para o dólar, mas para ele, seria uma taxa de R$ 2,60 a R$ 2,80.  Bresser acredita que a apreciação do real poderia ser contida com um controle de entrada de capital e o reconhecimento da doença holandesa, que está relacionada com a exploração de recursos naturais e o declínio do setor manufatureiro.  Segundo ele, ao se reconhecer o problema, poderiam ser adotados impostos sobre a exportação dos bens que lhe dão origem para que a curva de oferta se desloque para cima.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.