Volks ameaça fechar fábrica de São Bernardo do Campo

A direção da Volkswagen do Brasil deu nesta segunda-feira um ultimato aos trabalhadores da unidade de São Bernardo do Campo: ou aceitam o plano de reestruturação ou a fábrica pode fechar. O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC tem até sexta-feira para chegar a um entendimento com a montadora. A empresa alega que em setembro haverá reunião na matriz para definir novos investimentos. Sem o acerto, a unidade mais antiga do grupo, inaugurada há 47 anos, ficará de fora dos planos da companhia e "o risco da operação ser encerrada é real", informa a direção brasileira.A empresa também informa que iniciará demissões a partir de 21 de novembro, quando termina o acordo de estabilidade na fábrica e que o número de cortes será superior ao previsto na reestruturação. Desde maio a empresa tenta negociar um plano de demissões para 3,6 mil funcionários da Anchieta, como é conhecida a fábrica do ABC, e cortes em benefícios trabalhistas.Segundo o gerente executivo de Relações Trabalhistas Corporativo da Volkswagen, Nilton Junior, a redução de 3,6 mil empregados até 2008 considera a vinda de novos investimentos. Caso não haja acordo sobre as medidas do plano de reestruturação, a fábrica não receberá novos modelos e terá uma produção reduzida dos atuais 900 carros/dia para 300 a 400 carros/dia. "Considerando este cenário, ocorrerá um corte adicional de aproximadamente 2,5 mil pessoas", afirma ele. A fábrica emprega hoje 12 mil pessoas.O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, José Lopez Feijóo, convocou para terça-feira uma assembléia com os trabalhadores, às 14h30. Ele não quis comentar a ameaça da Volks feita nesta segunda em reunião com os representantes dos trabalhadores.O presidente da Federação Estadual dos Metalúrgicos da CUT, Adi dos Santos Lima, acha que a montadora está pressionando os trabalhadores de forma a obter a resposta que deseja. "Não vale a pena um confronto desse tamanho."A Volks apresentou seu plano de reestruturação em 3 de maio. Inicialmente, informou aos trabalhadores a necessidade de um corte de quase 6 mil trabalhadores nas fábricas de São Bernardo (3,6 mil), São José dos Pinhais (1,4 mil) e Taubaté (700). Até agora, só os 4,5 mil funcionários de Taubaté aceitaram o programa e 160 pessoas já deixaram a empresa, com incentivos. Outras 140 saem até dezembro e o restante nos próximos dois anos. Em troca, a matriz se comprometeu a realizar novos investimentos na unidade que hoje produz a família Gol.

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