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Volks e sindicato fecham acordo para evitar 3,6 mil demissões no ABC

Funcionários aceitaram ficar cinco anos sem reajuste real; empresa alega que tem 3,6 mil trabalhadores excedentes em unidade do ABC

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2016 | 15h10

SÃO PAULO - Para evitar demissão em massa, funcionários da Volkswagen de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, aceitaram abrir mão de aumento real dos salários pelos próximos cinco anos. Até 2021, eles vão receber apenas o repasse da inflação. 

Acordo fechado ontem entre as partes prevê ainda a abertura de um Programa de Demissão Voluntária (PDV) que vai pagar até 35 salários extras para quem se desligar da empresa. A Volkswagen alega ter 3,6 mil trabalhadores excedentes na fábrica de São Bernardo do Campo, ou 34% da mão de obra atual.

O acordo foi aprovado em assembleia na manhã de ontem e, depois, os trabalhadores foram para casa. A linha de produção da fábrica está parada desde a semana passada por falta de peças e não há previsão de retorno até sexta-feira. O mesmo ocorre nas filiais de Taubaté (SP) e de São José dos Pinhais (PR).

Para o secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, o acordo acaba com o risco de demissão sumária de trabalhadores até 2021. “Foi a negociação mais difícil já conduzida com a Volkswagen, pois se deu em meio a uma conjuntura econômica difícil.” Segundo ele, houve a necessidade de ajustar acordos que estavam em curso em razão da queda na produção, “que tem sido muito forte”.

Santana afirma que a proposta aprovada é melhor do que a inicialmente apresentada pela montadora que previa, por exemplo, o fim da estabilidade no emprego para funcionários com doenças profissionais.

Em nota, a Volkswagen afirma que a nova proposta garante o “equilíbrio entre as necessidades do negócio e dos trabalhadores, com elementos que nos permitirão fazer frente aos desafios atuais, por meio de mecanismos de adequação das estruturas de custos e de efetivo da unidade Anchieta”.

O acordo negociado nos últimos dois meses substitui o anterior, antes previsto até 2019. Nas novas bases, os salários dos trabalhadores terão reajuste pelo INPC em 2017 (que será pago como abono) e nos quatro anos seguintes o índice passa a ser incorporado ao salário. Nesse período, a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) fica congelada em R$ 11,8 mil como valor base, e será corrigida também pelo INPC.

O PDV é decrescente. Quem aderir até o dia 10 recebe 20 salários nominais extras mais meio salário por ano trabalhado. Quem tem até 10 anos de casa, por exemplo, terá direito a 25 salários, além da rescisão. Quem tem 30 anos ou mais receberá 35 salários. A partir dessa data, os valores pagos como incentivo passam a ser reduzidos a cada período.

O plano vale para funcionários da produção e da área administrativa. Se não conseguir atingir o esperado, os excedentes serão colocados em lay-off (suspensão de contratos). A empresa também vai continuar utilizando a ferramenta do Programa de Proteção ao Emprego, mas com possibilidade de ampliar de 20% para 30% a redução na jornada e nos salários.

Ontem, em encontro com o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, pediu a ampliação da participação do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) no valor reembolsado aos trabalhadores inscritos no PPE. Hoje, o FAT banca metade do corte salarial. Segundo Marques, o ministro ficou de criar um grupo para avaliar a medida.

Linhas paradas. A produção nas três fábricas está parada porque a montadora deixou de receber peças para carrocerias. A fornecedora exclusiva do produto, a Fameq, de São Paulo, fechou as portas no mês passado após ser adquirida pelo grupo Prevent, com quem a Volks trava uma disputa comercial há mais de um ano. Se o problema não for solucionado até a próxima semana, a montadora deverá dar férias coletivas de 20 dias aos funcionários.

De janeiro a julho, as vendas da Volkswagen caíram 35% ante igual período de 2015, para 148,2 mil unidades. O mercado como um todo teve recuo de 24,6%, segundo a Fenabrave, que representa as concessionárias.

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