Volks não suspenderá plano de demissão, afirma diretora

A diretora para Assuntos Governamentais da Volkswagen, Elizabeth de Carvalhaes, rechaçou nesta quarta a proposta dos parlamentares para que a empresa suspenda o plano de reestruturação que envolve a demissão de funcionários e participe de uma mesa de negociações em busca de uma solução para a montadora. "Não podemos interromper o processo para esperar por uma solução", disse a diretora.Ela afirmou em audiência na Comissão de Desenvolvimento, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados que a situação financeira da Volkswagen é "absolutamente constrangedora". "Se a Volks fosse apenas uma empresa nacional estaria em situação concordatária nesse momento", disse Carvalhaes.A diretora assegurou para os deputados que a reestruturação é absolutamente imprescindível e que, se não for feita, a questão não será mais a demissão até 2008 de cerca de seis mil funcionários, mas de todo o contingente de empregados da montadora.O gerente corporativo de Relações Trabalhistas, Nilton Júnior, explicou que as demissões estão sendo negociadas com os sindicatos e que devem começar pela unidade de Taubaté. Na maior unidade da montadora no País, que é a da via Anchieta, em São Bernardo do Campo, o programa só deve começar a partir de novembro quando vence o contrato de garantia do emprego firmado com o sindicato.Depois de mais de seis anos de déficit, a Volks precisa de injeção de capital para fechar suas contas, disse a diretora. Ela explicou que, devido a essa situação, a empresa deixou de receber investimentos da matriz.Estratégia equivocadaNa exposição que fez para os deputados, Elizabeth de Carvalhaes culpou a atual política econômica pela situação quase falimentar da montadora. Segundo a diretora, a situação deficitária é conseqüência da estratégia adotada no passado, estimulada pelo governo, de voltar grande parte da sua produção para o mercado externo. Hoje, a empresa exporta 43% da sua produção e, com o nível atual do câmbio, não consegue cobrir com as vendas externas o seu custo de produção."Precisamos reduzir as exportações para parar de gerar prejuízo no caixa da empresa", justificou. Daí, segundo a diretora, o impacto no ambiente de trabalho nas unidades da Volks voltadas para a exportação.Para a diretora, a alternativa de redirecionar as vendas para o mercado interno não é solução no momento. "O nosso produto é violentamente tributado, o que, aliado com os juros altos, impede o crescimento das vendas no mercado interno", esclareceu.De acordo com as análises e projeções feitas pela montadora, nada indica que o cenário econômico do País mudará no curto prazo. "Câmbio, tributação e juros são variáveis que independem de qualquer ação da empresa", disse Carvalhaes. Na estratégia da empresa para sair da crise está a queda de 40% da exportação, o que significa um corte de cerca de 100 mil veículos/ano.

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