Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Volks quer reduzir jornada semanal de trabalho

Montadora vai propor flexibilização de regras trabalhistas, a exemplo do que ocorreu nos anos 90

Cleide Silva, O Estadao de S.Paulo

17 de dezembro de 2008 | 00h00

A Volkswagen, maior fabricante de carros do País, vai negociar com os metalúrgicos das quatro fábricas do grupo a flexibilização das normas trabalhistas a partir de janeiro. Segundo o presidente da montadora, Thomas Schmall, a redução da jornada semanal é uma das propostas possíveis. A companhia foi a primeira a adotar medidas flexíveis no fim dos anos 90, quando a indústria automobilística enfrentava crise de vendas.A maior parte dos 22 mil trabalhadores da Volkswagen está em férias coletivas e retorna no dia 5. Schmall vai esperar até meados de janeiro para analisar a situação do mercado e definir o programa produtivo para o primeiro trimestre. Até lá, será possível avaliar os resultados das medidas anunciadas pelo governo federal, como a redução do IPI para carros novos."Normalmente no fim do ano vendemos mais do que no início do ano, por isso não faz sentido trabalhar a mesma quantidade de horas nos dois períodos", disse o Schmall.Outro executivo da área da Recursos Humanos da Volks lembrou que o banco de horas, adotado há vários anos, tem limite de 12 meses para ser compensado e mudar essa regra jurídica seria outra alternativa.Para o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Francisco Duarte de Lima, o mais importante é a busca de alternativas para garantir empregos. "Queremos que os trabalhadores retornem no dia 5 tranqüilos". Uma das propostas a ser apresentada, disse ele, é a reabertura de programas de demissão voluntária para aposentados e trabalhadores com doença profissional.MENOS IMPOSTOSAlém de mudanças na legislação que facilitem acordos trabalhistas - tema levado pelos empresários ao presidente Lula na semana passada -, Schmall informou que o setor espera outras mudanças para ajudar na retomada do mercado."A redução do IPI é boa para o curto prazo, mas para o longo prazo precisamos de medidas como maior redução dos juros e menor carga tributária", disse Schmall. As vendas de carros caíram 11% em outubro e 25% em novembro. Neste mês, os negócios estavam em baixa nos primeiros dias, mas o corte do IPI para modelos 1.0 e a redução pela metade da alíquota para modelos mais potentes pode reverter o quadro. Só a Volks vendeu 4,4 mil carros no primeiro fim de semana de vigência da medida. A GM vendeu 1, 3 mil unidades no feirão em São Caetano.A Volks manterá o investimento anunciado para novos produtos no período 2007-2011. Já o aporte previsto para ampliação de capacidade produtiva pode ser postergado. A área de produtos fica com dois terços dos R$ 3,2 bilhões previstos no plano. Só em 2009 serão apresentadas 16 novidades, duas delas no segmento de comercias leves. "Em tempos de crise, é preciso acelerar lançamentos", disse Schmall.Sobre a venda da divisão de caminhões e ônibus feita pela matriz alemã ao grupo MAN, o executivo afirmou que a unidade brasileira "era o único negócio no mundo e, para crescer, não se pode ficar numa ilha".FRASESThomas SchmallPresidente da Volks"A redução do IPI é boa para o curto prazo, mas para o longo prazo precisamos de medidas como maior redução dos juros e menor carga tributária"Francisco Duarte de LimaVice do Sindicato "Queremos que os trabalhadores retornem no dia 5 tranqüilos"

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.