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Volks recebe bancos e volta a produzir

Volume recebido, no entanto, é pequeno, diz a montadora; Fiat também vai retomar produção

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2016 | 19h22

SÃO PAULO - As fábricas da Volkswagen voltaram a operar ontem, de forma parcial, após receberem parte da encomenda de bancos da Keiper, do Grupo Prevent, única fornecedora desse produto à montadora. As três unidades da empresa estavam com a produção paralisada desde segunda-feira, após a suspensão da entrega do componente.

A Fiat, que suspendeu a produção em Betim (MG) na sexta-feira, convocou os trabalhadores para retornarem hoje, quando espera receber estruturas metálicas fornecidas pelo mesmo grupo.

A Volkswagen obteve na segunda-feira liminar da 2ª Vara Cível de São Bernardo do Campo (SP) obrigando a Keiper a retomar a entrega dos bancos em 24 horas, sob pena de multa diária de R$ 500 mil. Ontem, a montadora conseguiu mais duas liminares determinando o mesmo por parte da Mardel e da Cavelagni, ambas do mesmo grupo. A Fiat também obteve liminar da 4ª Vara Cível de Betim para que a Mardel e a Tower, pertencentes ao Prevent, voltassem a fornecer estruturas metálicas. Nesse caso, a multa seria de R$ 200 mil ao dia.

No fim da tarde de ontem, a Volkswagen divulgou nota afirmando que, “os fornecedores, no dia de hoje (ontem), provavelmente na tentativa de confundir o representante do Poder Judiciário, enviaram um porcentual ínfimo para a produção de bancos para abastecer as linhas.” Segundo a montadora, “os prejuízos à Volkswagen e a sua cadeia de fornecedores diretos, formada por centenas de empresas e seus milhares de empregados, persistem.”

A Fiat informa que o ritmo de fabricação será retomado gradualmente hoje, pois será preciso reorganizar a logística de produção. “Para a normalidade absoluta da produção, a Fiat espera que o fornecimento seja de qualidade, pleno e previsível, e não apenas uma aparência de fornecimento.”

As duas empresas alegaram nas liminares que a fornecedora pede reajustes de preços injustificáveis e não previstos nos contratos, sempre seguidos de ameaças de interrupção das entregas. Também afirmaram não ter dívidas com o grupo.

Denegrir a imagem. Ontem, em seu primeiro comunicado à imprensa, o Grupo Prevent afirmou que a Volkswagen “tem simplesmente a intenção de denegrir a imagem da empresa junto ao mercado”. Alega que nunca houve descumprimentos contratuais por parte do grupo e que, em 2015, o Poder Judiciário de São Paulo cassou várias liminares e multas impostas à Keiper, por entender que a montadora deixou de cumprir todos os acordos com ela firmados. A nota não cita a Fiat.

O Grupo Prevent afirma ainda que “todas as paradas de fornecimento de peças foram precedidas de comunicados, no estrito cumprimento dos contratos, os quais também exigem da montadora a necessidade de honrar com a compra das quantidades mínimas de peças que são exigidas para produção dos lotes econômicos, bem como a falta de cumprimento dos acordos de recomposição de preços, o que prejudica a eficiência e o custo de produção, prática extremamente danosa às empresas como um todo, além de ser maneira comum e corriqueira da Volkswagen”. 

Também afirmou que a paralisação no fornecimento de peças “se fez necessária para preservar o grupo Keiper, não somente do ponto de vista de uma estrutura corporativa, mas principalmente de preservar os recursos humanos, já combalidos por muitas demissões oriundas dos baixos volumes de produção, assim como preservar sua integridade financeira para honrar seus compromissos junto aos fornecedores”. 

A nota também afirmou que “a questão das liminares está sob análise do Poder Judiciário”.

A Volkswagen informa que, desde que o Grupo Prevent assumiu o fornecimento dos bancos, já ficou 56 dias parada por falta de ado produto e que 35 mil veículos deixaram de ser produzidos. No caso da Fiat, que enfrenta a primeira paralisação por esse problema, a perda foi de mais de 7 mil automóveis, segundo a montadora.

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