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Volks sabia de emissões irregulares desde 2014

Ao Congresso americano, executivo admitiu saber que poluentes estavam além do permitido, mas negou participação em esquema para burlar testes

O Estado de S. Paulo

08 de outubro de 2015 | 22h38

A Volkswagen americana admitiu que sabia, há mais de um ano, que as emissões de seus veículos não cumpriam as normas estabelecidas pelo governo do país. O presidente da montadora nos EUA, Michael Horn, reconheceu que os 500 mil veículos afetados no país vão seguir contaminando o meio ambiente pelo menos até 2017. Horn compareceu ao Comitê de Energia e Comercio do Congresso para responder perguntas sobre o escândalo. 

Horn calou-se boa parte do tempo e deixou várias questões sem resposta, dizendo desconhecer o “truque” para driblar os testes de verificação oficiais. Apesar de negar o envolvimento na decisão, ele admitiu que a Volkswagen instalou um software nos veículos com o propósito de driblar os testes ambientais. Cerca de 500 mil veículos a diesel da empresa emitiriam poluentes em nível até 40 vezes acima do permitido pela legislação dos EUA.

O executivo alemão disse que só tomou conhecimento da existência desse software em 1º de setembro de 2015, 17 dias antes que a fraude fosse exposta. O executivo afirmou que sabia do descumprimento das normas ambientais americanas por meio de estudos independentes encomendados pela montadora no início de 2014.

“Naquele momento, eu não sabia que existia um aparelho para manipular (as emissões) ou que ele poderia ser instalado nos carros da Volkswagen”, afirmou o presidente da Volks nos EUA. Por várias vezes na sessão, Horn tentou se justificar: “Não sou engenheiro”.

‘Segredinho’. Os congressistas se mostraram irritados com a falta de informações do depoimento de Horn. Uma declaração imediatamente rebatida foi a tentativa do executivo de tentar creditar a decisão de driblar os testes “a indivíduos” e não a uma decisão corporativa. O republicano Fred Upton, do Estado de Michigan, advertiu o executivo e afirmou que a “Volkswagen pagará caro por seu segredinho”. Outros representantes sugeriram que a montadora deve indenizar individualmente os consumidores que enganou.

Embora só tenha vindo a público agora, o software que driblava os testes de emissões de poluentes foi criado em 2008, quando ficou claro para a Volkswagen que a empresa não daria conta de atender às exigências de uso de “diesel limpo” impostos pelas regras americanas.

Já se sabe que modelos das Volkswagen e também das submarcas Audi, Seat e Skoda foram afetados pelo problema - que não estaria restrito aos EUA. Na quarta-feira, a empresa anunciou a suspensão das vendas de seu modelo Caddy na Suécia. 

Busca e apreensão. Enquanto isso, a polícia alemã apreendeu documentos na sede mundial da Volks, em Wolfsburg (cidade próxima à capital Berlim), e em outros municípios do país. As buscas também envolveram apreensões em residências, segundo a agência AFP.

O objetivo da operação foi garantir a proteção de documentos com informações que possam ser usadas para atribuir responsabilidade na falsificação de resultados dos motores a diesel. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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