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Durante o anúncio, o presidente da Volkswagen na América Latina, Pablo Di Si, não detalhou como os investimentos serão distribuídos entre as grandes operações na região: Brasil e Argentina Reuters

Volkswagen anuncia investimento de R$ 7 bilhões na América Latina, a maior parte no Brasil

Valor, que engloba aportes até 2026, é igual ao ciclo iniciado em 2017 e será aplicado em novos veículos, desenvolvimento de negócios digitais e pesquisas sobre biocombustíveis

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2021 | 13h40
Atualizado 10 de novembro de 2021 | 15h41

A Volkswagen informou nesta sexta-feira, 5, que vai investir R$ 7 bilhões na América Latina entre 2022 e 2026. O valor é o mesmo ao do ciclo anterior, que se encerra neste ano. O montante inclui o lançamento de uma nova família de veículos, incluindo um carro compacto, o desenvolvimento de negócios digitais e a expansão de pesquisas sobre biocombustíveis, tendo como foco o uso do etanol como ponte até a chegada da eletrificação de veículos no País.

A maior parte será direcionada ao Brasil, informou Pablo Di Si, presidente da Volkswagen América Latina, sem revelar a divisão de valores entre o País e a Argentina, onde o grupo tem fábricas.

Segundo ele, pela primeira vez em “muitos, muitos anos”, a operação terá resultados positivos na região este ano, mesmo com os problemas enfrentados com a falta de semicondutores e queda de vendas em razão da pandemia. Atualmente, a fábrica de São Bernardo do Campo (SP) opera com apenas um turno de trabalho e 1,5 mil operários estão em lay-off por até cinco meses.

O primeiro carro da nova família, o Polo Track, será feito em Taubaté (SP). Será o modelo de entrada da marca (o mais barato) e diferente do atual Polo. Vai ser lançado em 2023 e substituirá o Gol, um dos ícones da marca, junto com Fusca e Kombi, em produção há 41 anos.

 “A nova legislação exige carros cada vez mais seguros e com menor emissão de CO2”, lembrou Di Si, o que aumentará o custo do produto e o preço final ao consumidor. Um dos itens que passará a ser obrigatório a partir de janeiro de 2024, por exemplo, é o controle de estabilidade (ESC). “Os carros compactos terão mais conteúdo e o custo será maior”, avisou.

Di Si afirmou ainda que todo o investimento virá de captações locais, parte com empréstimos de bancos privados e parte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com quem a Volkswagen assinou nesta semana acordo para ações de descarbonização da frota do Brasil, apoio à inovação, desenvolvimento da cadeia produtiva, inserção internacional e aperfeiçoamento de instrumentos financeiros. 

O anúncio do novo ciclo de investimentos foi feito em entrevista virtual com jornalistas. O presidente global da Volkswagen, Ralf Brandstätter, que participaria da conversa, precisou se ausentar. Em nota, disse que o grupo tem demonstrado na América Latina que pode ser lucrativo, apesar de enfrentar um mercado menor e condições desafiadoras. “Vamos continuar a investir em projetos específicos que assegurem a lucratividade sustentável da empresa.”

Sobre o centro de pesquisa e desenvolvimento de biocombustíveis, disse que o bioetanol é “um significativo complemento regional à nossa estratégia elétrica, porque reduz as emissões de carbono em até 90% comparado à gasolina. É um excelente exemplo de pense globalmente e aja localmente.”

 

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