Volkswagen demitirá 16,5 mil temporários em 2009

Na Alemanha, presidente da montadora declarou que medida 'não é agradável, mas é inevitável'

EFE

28 de fevereiro de 2009 | 10h52

A Volkswagen vai cortar em 2009 todos os empregados temporários. A informação foi dada pelo presidente da empresa, Martin Winterkorn, em entrevista à revista alemã Der Spiegel, que circula hoje.   Veja também:  Vendas da Volkswagen no mundo caem 21% em 12 meses Ato de metalúrgicos bloqueia Via Anchieta em frente à Volks Reino Unido tem maior desemprego em 9 anos Entenda o novo plano dos EUA para resgatar bancos De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise   Procurada, a subsidiária brasileira disse não ter ainda uma posição oficial sobre os futuros cortes. A afirmação foi feita por Winterkorn depois de ser perguntado sobre quantos seriam os temporários ao final de 2009. Segundo a revista, em dezembro de 2008, eram 16.500 mil trabalhadores com esse tipo de contrato. A resposta foi direta: "Não empregaremos nenhum. Isso é terrível para as pessoas afetadas. Mas não há outra solução."   A frase de Winterkorn surpreendeu. Até agora, a empresa evitava fazer previsões sobre os possíveis cortes. Recentemente, o diretor financeiro da Volks, Hans Dieter Pötsch, apenas advertia que teria de "desligar a maioria" se a conjuntura não melhorasse.   Só na Alemanha há perto de 4.500 trabalhadores com contratos temporários. O Brasil e os países do Leste Europeu concentram um grande número de temporários. Winterkorn assegurou que, por ora, os empregos fixos não estão ameaçados na Alemanha. "Ninguém na empresa pensa, no momento, em demiti-los ou algo desse tipo."   As vendas da primeira montadora da Europa diminuíram cerca de 15% em janeiro. A empresa prevê para 2009 uma queda de 10% e admite a possibilidade de ter prejuízo no primeiro trimestre, em razão da queda do mercado no mundo.   "Com redução de jornada de trabalho, conseguimos não produzir reservas de carros. Temos uma semana de trabalho de 35 horas que podemos reduzir a até 28 horas. Podemos também limitar a produção e garantir (a manutenção) do pessoal fixo. Para este ano, não vejo nenhum problema", disse à Der Spiegel. Apesar da afirmação, o executivo fez uma ressalva. Se a companhia não conseguir se recuperar, será preciso "refletir sobre outras coisas".   Winterkorn aproveitou para criticar a concorrência. Segundo ele, a Opel (General Motors) não deveria receber ajuda estatal. O Estado não deveria se tornar "uma sociedade de resgate para empresas ameaçadas de quebra". No entanto, ele admitiu ser "legítimo" o governo dar garantias de forma "pontual", mas "só durante um tempo de transição".   A Volkswagen emprega no mundo 330 mil pessoas. Em janeiro, a montadora rescindiu o contrato temporário de 150 funcionários da fábrica de Taubaté (SP). Na mesma data, efetivou 450 temporários e renovou o contrato com mais 200. Dia 19, prorrogou por dois anos os contratos de 106 empregados de São Bernardo do Campo.

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