Volkswagen fecha acordo sobre fraude em emissões

Em acerto com Justiça dos EUA, montadora alemã se comprometeu a recomprar veículos com motores que burlavam os testes de poluentes

O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2016 | 08h20

A montadora alemã Volkswagen chegou a acordo preliminar com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos para compensar os donos de quase 600 mil carros a diesel com dispositivos que adulteravam os resultados das emissões de gases poluentes. O acordo – anunciado ontem pelo juiz federal Charles Breyer, de São Francisco, na Califórnia –, prevê como alternativas que a montadora compre de volta até 482 mil veículos de motor 2.0, conserte os carros ou cancele contratos de leasing existentes.

Segundo duas pessoas a par do assunto ouvidas pela Reuters, a companhia pode ter de gastar mais de US$ 10 bilhões para cumprir o acordado.

Além da compra dos veículos afetados, a montadora deve criar ainda um fundo para lidar com questões ambientais como o excesso de emissão de carbono. A Volkswagen e o governo americano têm até o dia 21 de junho para apresentar um documento final sobre o acordo. Ainda está pendente, no entanto, a situação de 90 mil veículos com motor 3.0.

A Volkswagen divulgou um comunicado afirmando que está comprometida em conseguir de volta a confiança de seus consumidores, seus revendedores, os reguladores e toda a América. O comunicado não fornece detalhes para os clientes. “Como se observou no tribunal, os clientes nos Estados Unidos não precisam tomar qualquer medida neste momento”, diz o texto. O advogado da montadora, Robert Giuffra, ressaltou que o acordo de princípios é um passo importante no sentido de se fazer as coisas certas.

Histórico. O acerto é um passo importante nos esforços da montadora alemã para deixar para trás a questão, que veio à luz em setembro do ano passado, quando a Volkswagen admitiu o uso de um sofisticado software secreto em seus carros para enganar os testes de emissões de poluentes, desencadeando um escândalo apelidado na mídia de “Dieselgate”, em referência ao “Watergate”, o maior escândalo político americano.

A polêmica envolvendo a Volkswagen deixou em evidência que a emissão de carbono chegava a ser 40 vezes maior que o nível permitido nos Estados Unidos.

A Volkswagen terá até quinta-feira para chegar a um acordo com a Agência de Proteção Ambiental dos EUA ou enfrentará a perspectiva de um julgamento nos próximos meses. Alguns grupos ambientalistas reclamaram sobre a falta de detalhamento do acordo e exigiram que a montadora resolva o problema por completo.

“O acordo final precisa consertar ou retirar os carros que ainda estão rodando pelas ruas, fazer uma retratação frente aos consumidores que compraram os veículos acreditando que se tratavam de modelos menos poluentes e ainda compensar a poluição gerada pelos carros adulterados”, disse em comunicado Kathryn Phillips, diretor da organização ambiental Sierra Club, da Califórnia.

O escândalo envolveu cerca de 600 mil carros nos Estados Unidos e 11 milhões em todo o mundo, inclusive no Brasil. Entre os modelos afetados estão Jetta, Golf, Beetle e Passat. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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