JOHANNES EISELE/AFP
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Volkswagen perde € 25 bilhões em dois dias

Ações da montadora caíram 34% em 48 horas após a revelação de que o escândalo da fraude na emissão de poluentes pode ser global

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

23 Setembro 2015 | 02h04

PARIS - Um total de 11 milhões de veículos fabricados não apenas pela Volkswagen, mas também pela Audi, Skoda, Seat e Porsche, trazem entre seus componentes o software que manipula os testes de poluição realizados nos Estados Unidos e em outros países. A admissão foi feita pela direção da companhia alemã ontem, e tornou mundial o escândalo causado pela fraude contra as normas nacionais de controle de poluentes. Depois de Los Angeles, a União Europeia deve abrir uma investigação - o que fez as ações do grupo caírem 34% em 48 horas.

A pane daquela que se tornou, em 2015, a maior fabricante de automóveis do mundo fica evidente nas bolsas de valores. Depois de cair 18% na segunda-feira, as ações do grupo despencaram outros 19,82% ontem, totalizando perdas de 25 bilhões em apenas dois dias. Além do buraco no valor das ações, o grupo informou que fará uma provisão de 6,5 bilhões com o objetivo de prever a ocorrência de multas bilionárias nos Estados Unidos e na Europa.

A situação se agravou com o comunicado divulgado na manhã de ontem pela direção da Volkswagen, no qual o grupo afirma ter identificado a extensão global da fraude. "Investigações internas mostraram que o programa em questão também estava presente em outros veículos a diesel do grupo", informou a companhia. Por sua vez, o diretor presidente da empresa, Martin Winterkorn, foi obrigado a se desculpar em público pela "falta" cometida. "Lamento infinitamente que nós tenhamos decepcionado a confiança de milhões de pessoas em todo o mundo", afirmou, em vídeo divulgado no site corporativo da montadora. "Eu peço profundas desculpas aos nossos clientes, às autoridades e à opinião pública em seu conjunto pela falta", prometendo responder a todas as questões que forem levantadas pelo escândalo.

Se ainda se sustenta no cargo, Winterkorn não pode ter certeza de que nele vai permanecer. A pressão internacional ontem não parou de crescer não apenas nos Estados Unidos, mas também na Europa e na Ásia. Além da investigação penal aberta na Califórnia, dirigentes da empresa foram convocados a prestar esclarecimentos na Coreia do Sul e inquéritos foram abertos na Alemanha, na Itália e na França, segundo a ministra do Meio Ambiente da França, Ségolène Royal. "Pedi à agência federal americana de proteção ao meio ambiente os elementos de informação pertinentes que nos permitam apreciar a natureza da fraude e os meios disponíveis para detectá-la", informou a ministra. "Também pedi às montadoras nacionais que assegurem que tais atos não estejam em curso na França."

Até mesmo a chanceler alemã, Angela Merkel, veio a público pedir "total transparência" na apuração das responsabilidades. "Trata-se agora de provar a transparência total, de explicar todo o processo", disse a premiê. "Espero que os fatos venham à tona o mais rápido possível."

A dimensão global do escândalo também foi sentida pelo efeito sistêmico da fraude. Nas bolsas de valores de Frankfurt e Paris, as duas maiores da zona do euro, os índices DAX e CAC 40 despencaram 3,8% e 3,42%, respectivamente. Ações de outras montadoras, como as francesas Renault e PSA Peugeot-Citroën, também foram abaladas por perdas da ordem de 7% e 8%.

Europa. A situação só não foi pior até aqui porque aqui porque um pedido de investigação feito à União Europeia ainda não foi levado adiante. Ontem, a porta-voz da Comissão Europeia, Lucia Caudet, argumentou que as investigações em curso nos EUA e na Alemanha são, por ora, são suficientes. "É prematuro comentar se medidas de supervisão imediatas e específicas também serão necessárias na Europa e se veículos vendidos pela Volks na Europa também foram afetados", explicou.

Em Bruxelas, entretanto, cresce a pressão pela abertura de um processo pela União Europeia, à imagem do que pode resultar em uma multa bilionária à montadora nos Estados Unidos, onde as indenizações podem chegar a US$ 18 bilhões.

A Volks informou que não irá se pronunciar sobre possíveis efeitos da fraude no Brasil.

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