'Volta' constante para o 3G desagrada usuários

Paulistanos que utilizam o serviço gostam da velocidade de navegação, mas reclamam das várias mudanças de rede

Camilo Rocha, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2013 | 02h05

Consumidores ouvidos pelo Link se mostraram entusiasmados e satisfeitos com o 4G em São Paulo, embora reclamem da instabilidade do sinal.

"O 4G, até por não estar saturado, é bom", reconhece Fábio Alves, executivo de uma empresa de TI. O problema, segundo ele, é a "banda muito limitada, de apenas 10 megabits por segundo (Mbps)".

Alves ainda não conseguiu, por exemplo, usar o Skype no 4G da Vivo. "Não é estável o suficiente para isso", diz.

A arquiteta Michele Wharton começou a usar o 4G da Claro há pouco tempo, mas já se incomoda com a oscilação do sinal. "Rodo pela cidade inteira: Centro, Vila Mariana, Perdizes e Vila Prudente. O serviço é confuso. Vive saindo do 4G e indo para outras redes." Ela acrescenta: "Tem momentos em que não entra nenhuma rede".

Um estudante entrevistado pela reportagem, que não quis se identificar, fez ecoar a reclamação de sinal variante, que ele considera "enganação". "Alguns lugares que não são cobertos pelo 4G passam a ser automaticamente 3G."

Durante o teste realizado pelo Link, o 4G também "caiu" para o 3G+ - velocidade intermediária entre o 3G e o 4G.

Questionadas, as assessorias dizem que isso é absolutamente normal. Segundo a TIM, "caso o cliente esteja fora do raio de cobertura do site 4G, ele migrará automaticamente para as redes 3G e 2G".

A Claro esclareceu que "o 4G é uma tecnologia para uso exclusivo de dados" e que quando a pessoa usa o celular para fazer ou receber uma ligação "o sinal muda automaticamente para 3G".

A assessoria da Vivo também disse que a situação acontece quando se sai da área de cobertura do 4G. "Para que continue conectado à internet, ele é migrado automaticamente para a rede 3G ou 3G+."

Quando o sinal está no lugar, quem usa o 4G tende a gostar da experiência. "É excelente, a navegação fica quase em tempo real. Você clica, as coisas abrem", diz a publicitária Beatriz Fernandes, que usa o 4G da Claro para ler e-mails, ver vídeos e usar as redes sociais.

Segundo o dentista Charles Aliberti, "uma vez que a gente se acostuma com o 4G, fica difícil abrir mão". Ele se queixa, porém, da inconstância do sinal da Vivo, que "deixa a desejar em boa parte da cidade".

A TIM explicou por meio de nota que muitas variáveis podem afetar o sinal do 4G, como "condições meteorológicas, a geografia do local, distância da antena mais próxima e quantidade de usuários acessando a internet ao mesmo tempo".

A Claro promete ampliar em 40% sua rede 4G em São Paulo. Além disso, explica que adquiriu "lotes de frequência" que possibilitarão à empresa dobrar a capacidade de transmissão de dados do seu serviço.

A Vivo não especifica planos para a cidade, mas diz que sua cobertura chegará a 70 municípios até o fim de 2012. A Tim fala em ampliação "gradativa" e explica que hoje atende 84 bairros na capital paulista, antecipando resultado que previa alcançar só em dezembro.

Há diversos planos de 4G nas operadoras. Na Claro, eles custam a partir de R$ 89; na Vivo, desde R$ 149, e na TIM não tem custo extra para usuários de alguns planos Liberty.

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