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Voltamos ao início do ano

O Ibovespa finalmente está no patamar que se apresentava no primeiro dia útil de 2020

Fábio Gallo*, O Estado de S. Paulo

21 de dezembro de 2020 | 05h00

O Ibovespa finalmente teve recuperação total no ano. No momento, está no patamar que se apresentava no primeiro dia útil de 2020. Todos os sinais e pesquisas com analistas estão no sentido que o principal índice do mercado de capitais brasileiro vai superar os 130 mil pontos no próximo ano. O início da vacinação contra o coronavírus ao redor do mundo tem animado os mercados, a despeito do ano difícil, com uma queda de 47% entre o seu melhor momento, em janeiro, e o pior, em março.

No entanto, quando olhamos para os EUA, vemos que aquele mercado se comportou de maneira bem mais resiliente. Para dar uma ideia dos números, o S&P 500 no fechamento de novembro apresentou um crescimento no ano de 12,1%; no acumulado de 12 meses, o ganho foi de 15,3%. No nosso mercado, o Ibovespa, no fim de novembro, ainda estava com queda de mais de 8% no ano, ganho de apenas 0,6% em 12 meses.

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E o ano acabou

Embora as análises tenham se mostrado otimistas, não podemos perder de vista que a nossa recuperação econômica vai passar por desafios ligados a aprovação das reformas, bem como de controle de gastos e divida pública. Do ponto de vista do investidor, para que possa ter maior resiliência nos investimentos, a indicação é a diversificação da carteira. No entanto, diversificar exige conhecimento, o que nem sempre é fácil para o investidor, além do que não cabe em todos os bolsos, porque pode trazer maiores custos.

Uma alternativa para manter a carteira mais diversificada naturalmente e com custos relativamente mais baixos é investir em ETFs (Exchange Traded Fund), conhecidos como fundos de índice. Uma boa notícia para nosso mercado é que desde o final de novembro passamos a contar com a listagem na B3 de 37 novos BDRs (Brazilian Depositary Receipts) de ETFs.

O investidor deve observar que, neste caso, o investimento é em BDR, que é um tipo de investimento emitido no Brasil, mas com lastro de ativos emitidos no exterior, geralmente ações. No caso dos novos lançamentos, os BDRs são lastreados com ETFs geridos pela BlackRock, que é a maior gestora global de ativos financeiros.

A novidade é que em breve esses fundos poderão ser negociados por todos os investidores. Os BDRs eram restritos a negociação por investidores qualificados, aqueles com mais de R$1 milhão de capital investido. Mas, em agosto passado, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) alterou a regra, permitindo acesso a esse tipo de investimento a todas as pessoas físicas.

Assim, o investidor terá a possibilidade de investir buscando maior retorno e com diversificação, aplicando recursos em um único ativo disponível na B3.

Ele estará investindo num fundo e com exposição a ativos estrangeiros, mas sem transferência de recursos para o exterior. Os novos tempos exigem maior conhecimento para podemos investir em produtos mais sofisticados.

*PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV-SP

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