Volume de cheques sem fundos cresce 17,2%

O volume de cheques devolvidos por falta de fundos, em relação ao total de compensados em fevereiro de 2002 teve um aumento de 17,2% em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo estudo nacional da Serasa - Centralização de Serviços dos Bancos S.A No acumulado de janeiro a novembro de 2001 foram devolvidos, em média, 13,2 cheques em cada mil compensados. No mesmo período do ano passado, a média foi de 10,1 devoluções a cada mil cheques compensados. Nos dois primeiros meses de 2002, foram devolvidos, em média, 14,1 cheques em cada mil compensados. No mesmo período do ano passado, a média foi de 11,1 devoluções a cada mil cheques compensados.De acordo com a Serasa, o alongamento nos prazos de recebimento de cheques pré-datados e a aceitação não tão criteriosa por parte das empresas menos organizadas, ou seja, aquelas sem metodologia adequada de crédito para a gestão deste meio de pagamento, são as principais razões para o aumento da inadimplência em 2001 e início de 2002.Para a Serasa, os novos patamares da inadimplência com cheques merecem atenção, sobretudo porque ainda registram a devolução de cheques relativos a compras anteriores ao Natal. A prática indiscriminada do alongamento de prazo na aceitação de cheques pré-datados, como apelo mercadológico e sem decisão técnica de crédito, está facilitando o acumulo de dívidas pelo consumidor.Cuidados com o pré-datado Dentre as formas preferidas de pagamento pelos consumidores e comerciantes, destaca-se o cheque pré-datado, com o qual deve se ter cuidados adicionais. O uso do pré-datado é uma maneira informal de concessão de crédito, por isso existem alguns riscos. O vendedor pode não honrar o acordo e depositar o cheque antes do prazo ou repassar o cheque a terceiros como forma de pagamento, antecipando o recebimento do seu dinheiro com um desconto. O receptador acaba não respeitando o prazo e deposita o cheque. Nessas circunstâncias, o consumidor pode acabar descobrindo um cheque sem fundos na conta bancária quando já for tarde demais, ou seja, quando ele já foi reapresentado duas vezes e o seu nome foi incluído nas listas de inadimplentes. Quando isso acontece, o único jeito de limpar o nome na praça é reaver o cheque e quitar a dívida. Mas, se não puder localizar a pessoa que o depositou, não há o que fazer. O nome ficará sujo por cinco anos, impedindo a concessão de créditos, cheques e cartões. O ideal é sempre pagar à vista, não gastar mais do que se tem. É bom lembrar que o pré-datado é a principal causa de desequilíbrio no orçamento doméstico e endividamento excessivo. Mas se for utilizar esse último recurso, o consumidor deve ficar atento às seguintes dicas: - O consumidor deve ter um controle apurado e cauteloso com a emissão das folhas de cheque. Todo cheque emitido deve ser controlado no canhoto do talão e através dos extratos bancários. - Nas compras parceladas, o consumidor deve ficar atento às datas de compensação do cheque para evitar problemas por esquecer o compromisso financeiro. - É preciso planejar cuidadosamente o orçamento mensal antes de emitir um cheque pré-datado. O consumidor deve fazer suas contas levando em consideração as despesas fixas (água, luz, telefone e gás) e as despesas eventuais como custos com médico, problemas no veículo, despesas com filhos, desemprego de um membro da família, por exemplo. - Outro cuidado que o consumidor deve tomar com o cheque pré-datado é não acumular dívidas, o que pode significar inadimplência no futuro.

Agencia Estado,

14 de março de 2002 | 10h09

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