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Volume de crédito diminuiu mais uma vez em abril

O setor financeiro registrou, em abril, mais um recuo no volume de crédito oferecido no País. De acordo com dados apurados pelo Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, o estoque de operações de crédito concedidas pelo setor fechou abril em R$ 376,548 bilhões, o que representou uma queda de 1% em relação ao estoque de março, quando essas operações somavam R$ 380,382 bilhões. O setor financeiro privado acumulou R$ 363,394 bilhões em operações de crédito, o que representou um recuou de 0,9% em relação ao volume registrado em março. Já o setor público financeiro acumulou um volume de R$ 13,154 bilhões em operações de crédito, com queda de 4,5% em relação ao fechamento de março.Para técnicos do Depec, essa retração no volume de créditos oferecidos pelos bancos em abril é explicada, basicamente, pela apreciação cambial nos contratos referenciados em moeda estrangeira. "Ao mesmo tempo, assinale-se que o nível da atividade econômica, o patamar das taxas de juros e a contração da massa real de salários vêm limitando a demanda por recur sos bancários por parte das empresas e das famílias", explicam os técnicos. Nesse contexto, a avaliação dos técnicos do BC é que o risco de crédito tem condicionado o comportamento dos bancos na hora de conceder novos empréstimos, prevalecendo assim operações de curto prazo e renovações de contratos com empresas de grande porte. Aumento do uso de cheque especial O aumento no uso do cheque especial tem feito com que a taxa média cobrada pelos bancos para o uso desse tipo de crédito cresça. Segundo o chefe do Depec, Altamir Lopes, as famílias brasileiras continuam buscando um complemento de renda por meio do cheque especial, o que acaba gerando um aumento na taxa média de juros dessa modalidade de financiamento. De acordo com Lopes, a taxa média registrada em abril, de 178,5% ao ano, é a maior verificada pelo Depec desde abril de 1999. "Os créditos com taxas mais reduzidas são aqueles de prazo mais longo, como o financiamento da compra de veículos", explicou. O uso do cheque especial e do cartão de crédito pelos brasileiros acabou gerando um aumento de 2,2% no volume de financiamentos concedidos pelo setor financeiro às pessoas físicas em abril, segundo explicou Lopes. Empresas pedem créditos de prazos mais curtos O aumento de 1% no volume de operações de créditos com empresas (excluídos os créditos concedidos em moeda estrangeira) reflete, segundo o chefe do Depec, uma busca por crédito de prazos mais curtos. "Há uma busca por operações como hot money e conta garantida", exemplificou. Segundo Lopes, essa busca por empréstimos "curtos" reflete dois movimentos. Em primeiro lugar, uma expectativa dos empresários com relação à redução da taxa de juros básica, a Selic. O outro movimento é a queda no fluxo de investimentos. Como as empresas estão investindo pouco, o crédito pleiteado acaba sendo para fazer o giro de caixa, que é basicamente caracterizado por um financiamento de mais curto prazo.O prazo médio dos empréstimos concedidos tanto para as empresas quanto para as pessoas físicas atingiu em abril o menor patamar registrado pelo BC desde junho de 2000. Para as empresas os empréstimos tiveram um prazo médio de 166 dias, enquanto que para as pessoas físicas a média foi de 293 dias. Redução de prazos e lucro maior A redução no prazo dos financiamentos também gerou um aumento na taxa média dos juros em abril. A taxa paga pelas empresas no mês passado, de 39% ao ano, foi a mais alta registrada pelo Departamento Econômico do Banco Central desde junho de 2002. A elevação acabou fazendo com que a taxa média global (empresas e pessoas físicas) também atingisse o maior patamar apurado pelo BC desde junho de 2002, ficando em 58,4%.Apesar do encurtamento dos prazos dos empréstimos gerar um aumento nas taxas de juros, esse movimento não justifica 100% esse movimento. Segundo o chefe do Depec, Altamir Lopes, a elevação do spread bancário ainda reflete, em boa medida, a margem de lucro que os bancos embutem em suas operações de concessão de crédito.Em abril, o spread bancário atingiu 61,1%, a maior taxa registrada pelo BC desde fevereiro de 2000. O spread é a diferença entre o custo de captação dos bancos e taxa de juros cobrada do tomador final de empréstimo. Segundo Lopes, o cálculo da taxa de juros de operações de crédito é complexo, mas estudo feito pelo próprio BC no ano passado indicou que boa parte dos juros cobrados reflete a grande margem de lucro dos bancos. "Mas há impostos diretos e indiretos e outros elementos nesse cálculo", ponderou o chefe do Depec.

Agencia Estado,

27 de maio de 2003 | 13h26

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