Volume de crédito no país cresce 14% no 1o semestre

O volume de crédito concedido pelasinstituições financeiras no país cresceu 14 por cento naprimeira metade do ano, o que reforça uma das principaispreocupações do Banco Central em relação ao aquecimento dademanda e consequente pressão sobre os preços. Em junho, as operações de crédito oferecidas pelo sistemafinanceiro somaram 1,067 trilhão de reais, um aumento de 2,1por cento em relação a maio, segundo dados divulgados nestaterça-feira pelo BC. Em 12 meses, a expansão do crédito foi de33,4 por cento. "As operações de crédito do sistema financeiro mantiveram,em junho, a trajetória de expansão observada ao longo do ano,evidenciando, entretanto, desaceleração no ritmo de crescimentodos financiamentos contratados com pessoas físicas, exceto dasoperações de arrendamento mercantil relacionadas a veículos",detalhou o BC em nota. O setor automotivo foi um dos principais beneficiados pelobom ritmo de crescimento da economia ao longo do primeirosemestre, período em que foram registrados novos recordes devendas e produção de veículos no país. A Associação Nacional dos Fabricantes de VeículosAutomotores (Anfavea) projeta aumento de 24,2 por cento nasvendas de veículos em 2008 frente ao ano passado. Em termos deprodução, a expectativa é de avanço de 15 por cento. O montante de crédito em junho era equivalente a 36,5 porcento do Produto Interno Bruto (PIB), uma leve alta em relaçãoao volume revisado de maio, de 36,3 por cento do PIB. DE OLHO NO PREÇO O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC vem destacandoem seus comunicados que o rápido crescimento do crédito temsido um dos principais propulsores da atividade e a demanda"robusta" tem respondido, ao menos em parte, pelas pressõesinflacionárias. Para conter a alta dos preços, o Copom iniciou em abril umciclo de aperto monetário --que foi engrossado na semanapassada, quando a taxa básica de juro foi elevada em 0,75 pontopercentual, para 13,0 por cento ao ano, superando asexpectativas da maioria dos analistas. O aumento da Selic, que subiu 1,75 ponto percentual deabril até agora, já gerou efeitos sobre as taxas cobradas pelosbancos. A taxa média de juro praticada em junho subiu para 38,0 porcento ao ano, frente a 37,6 por cento em maio. O spread bancário, que representa a diferença entre a taxade captação dos bancos e a cobrada dos clientes, manteve-se em24,5 pontos percentuais. Para as pessoas físicas, o juro médio praticado em junhoficou em 49,1 por cento ao ano, enquanto a taxa cobrada dasempresas atingiu 26,6 por cento ao ano. "O custo médio dos empréstimos para as famílias apresentouum incremento de 1,7 ponto percentual no mês... o movimento foicondicionado, principalmente, pelas altas... nas taxas docheque especial e do crédito pessoal", afirmou o BC. O juro médio cobrado pelos bancos no cheque especial --amodalidade de crédito mais cara do mercado-- atingiu 159,1 porcento ao ano em junho. (Texto de Renato Andrade; Edição de Daniela Machado)

ISABEL VERSIANI, REUTERS

29 de julho de 2008 | 11h52

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