Volume de crédito no PIB atinge maior nível desde 95, diz BC

Aumento da concorrência entre bancos e volume de crédito reduziram taxa de juros a menor nível desde 1994

Adriana Fernandes e Renata Veríssimo, da Agência Estado, Agencia Estado

26 de dezembro de 2007 | 11h24

O volume de crédito no País atingiu em novembro 34,3% do Produto Interno Bruto (PIB). É o maior volume desde junho de 1995, quando o volume de crédito correspondia a 34,7% do PIB. Há um ano, o crédito correspondia a 30,2% do PIB. Os bancos privados asseguraram 15% do crédito e os instituições públicas, 11,7%. Os bancos estrangeiros responderam por 7,6% do volume de crédito. No acumulado de 12 meses até novembro, as operações de crédito do sistema financeiro tiveram crescimento de 26,7%.  A taxa de juros nas operações de crédito com recursos livres recuou para 34,7% em novembro, ante 35,4% em outubro, de acordo com dados do BC. Nos últimos 12 meses até o mês passado, a taxa média de juros caiu 6,3 pontos porcentuais. A taxa média da pessoa jurídica caiu de 23,4% em outubro para 23,3% em novembro. Para a pessoa física, os juros caíram de 45,8% em outubro para 44,8% em novembro. Com o aumento da concorrência entre os bancos e do volume de crédito, a taxa de juros média cobrada pelos bancos para os clientes pessoa física atingiu em novembro o menor valor da série do Banco Central, iniciada em 1994. De outubro para novembro, a taxa caiu de 45,8% para 44,8%. Há um ano, a taxa estava em 53,6%. No período o custo dos empréstimos para as pessoas foi de 8,8 pontos porcentuais. Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes. a redução dos juros pelas instituições financeiras para as pessoas físicas, refletiu a "forte retração" da taxa média de crédito pessoal, que alcançou 46,8% ao ano em novembro, com queda de 2,1 pontos porcentuais em relação ao patamar de outubro, quando somou 48,9% ao ano. Segundo Altamir Lopes também a taxa de juros do cheque especial para as pessoas físicas caiu de 139,1% para 138,7% de outubro para outubro para novembro. É a menor taxa já registrada desde que o BC começou a apurar esse indicador. A taxa de juros para aquisição de automóveis teve no período um ligeira elevação, saltando de 28,4% para 28,5%. Altamir estima que as linhas de crédito devem continuar crescendo em patamares superiores a 20% no próximo ano. "Não demora a chegar a R$ 1 trilhão", afirmou. Até o final de novembro, o estoque de crédito totalizou R$ 908,775 bilhões. O chefe do Depec estima que o crédito consignado e os empréstimos às pessoas jurídicas devem puxar este crescimento.  Crédito consignado O Banco Central avalia que ainda há espaço para a redução da taxa de juros dos empréstimos de crédito consignado em folha de pagamento. "Tem espaço para cair a taxa e aumentar o volume", afirmou o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Altamir Lopes. Em novembro, a taxa de juros do crédito consignado caiu de 30,2% para 29%. Em 12 meses, a queda chega a 4,5 pontos porcentuais. O total de volume de empréstimos nessa modalidade voltou a ser recorde em novembro, com R$ 43,041 bilhões. Na avaliação de Altamir Lopes, a taxa de crédito consignado deve continuar em queda por conta da maior competição entre os bancos. Já o volume de crédito deve aumentar com a melhoria do emprego e renda. Altamir informou também que o estoque de crédito em operações de leasing atingiu R$ 60 bilhões em novembro, dos quais 84,8% foram destinados para a aquisição de veículos e 12,9% para compra de bens e equipamentos de informática.  O spread bancário (diferença entre a taxa de captação dos bancos e o que eles cobram para emprestar) recuou de 24,4 pontos porcentuais em outubro para 23,5 ponto em novembro. No período acumulado de 12 meses até novembro, o spread recuou 4,4 pontos porcentuais. O spread médio da pessoa jurídica caiu de 12,7 pontos porcentuais em outubro para 12,3 ponto em novembro. O spread para pessoa física reduziu-se de 34,5 pontos porcentuais em outubro para 33,3 pontos porcentuais em novembro. Pessoa física e jurídica Altamir informou ainda que a taxa média de juros do crédito livre teve uma queda de 0,6 ponto porcentual até 11 de dezembro na comparação com o estoque de novembro. Com isso, a taxa recuou de 34,7% em novembro para 34,1% até 11 de dezembro. Segundo Altamir, a queda para a pessoa jurídica no período foi de 0,3 ponto e para a pessoa física, de 0,7 ponto. Segundo Altamir, a redução nos juros do crédito livre para a pessoa física tem sido maior do que para a pessoa jurídica em função da queda do uso do cheque especial. Ele disse que a redução no uso do cheque especial é menor nessa época do ano porque as pessoas utilizam o 13º salário para pagar suas contas. Já a taxa de juros média cobrada dos bancos nos financiamentos para as empresas caiu menos do que a de pessoas físicas, de 23,4% para 23,3%. Em 12 meses, a queda foi de 3,3 pontos porcentuais para as pessoa jurídicas, ante 8,8 pontos porcentuais para as pessoas físicas. A queda dos juros cobrados pelos bancos ocorre apesar da interrupção do processo de redução da taxa Selic - juros básicos da economia, pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, mantida em 11,25% ao ano.     

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