Volume de dados movimenta setor de TI e telecom

Big data, computação em nuvem e mobilidade são as áreas em alta, mas profissional de hoje deve estar de olho aberto às inovações

EDILAINE FELIX, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2013 | 02h22

O volume de informações e dados que circula em todo mundo somou, no ano passado, 2,7 zetabytes (número 1 seguido de 21 zeros), segundo a consultoria em tecnologia e telecomunicações IDC Brasil. E o mercado precisa de profissionais para trabalhar com esse mundo virtual que aumenta no dia a dia.

O gerente de pesquisa da consultoria IDC Brasil, Anderson Figueiredo, lembra que a falta de profissionais na área de TI e telecom, no Brasil, fará que neste ano em torno de 39 mil vagas não sejam preenchidas - e a projeção para 2015 é de cerca de 117 mil vagas em aberto.

Segundo Figueiredo, a procura vai mudando de acordo com a tecnologia que vem surgindo. Por isso, atualmente, a demanda é por profissionais das áreas de cloud computing (computação em nuvem, armazenar dados compartilhando computadores e servidores espalhados pelo mundo e interligados por meio da internet, mobilidade e big data (gerenciamento em grande velocidade dos dados espalhados pelo mundo).

As principais competências exigidas são qualificação técnica, alinhamento com a estratégia de negócio da empresa e fluência em inglês. "O mercado necessita de profissionais que saibam trabalhar com esses dados: engenheiros e cientista de dados, estatísticos, matemáticos e analistas."

O especialista em recrutamento da consultoria Havik, Rodrigo Evangelista, concorda que os cargos em alta no setor estão nas áreas de mobilidade e big data. "Para atuar nesse mercado, o profissional precisa entender a linguagem técnica, saber quem será o usuário daquela aplicação. Sair do mundo técnico de programador e ir além. Ele deve ser alguém de TI orientado para o negócio."

O estrategista na área de vendas de cloud da HP, Antonio Couto, de 47 anos, é um exemplo desse novo profissional. Ele tem uma equipe, pode-se dizer, virtual - está espalhada pelo País inteiro. "Eu comecei a estudar sozinho o que era cloud computing quando o mercado começou a falar. Percebi que não era uma onda que passaria e comecei a trabalhar nas oportunidades da nuvem", conta.

Couto está na HP desde 2005 e, no ano passado, percebeu a necessidade dessa função no Brasil. Durante uma viagem à HP nos Estados Unidos amadureceu a ideia. Ao voltar, montou um projeto, apresentou e conquistou a função. Hoje, ele é o responsável por desenvolver estratégias para a equipe vender serviços de cloud computing.

Formado em processamento de dados, com especialização em sistemas da informação e mestrado em tecnologia e educação, Couto diz que o diferencial em sua carreira foi o constante aprimoramento. "O profissional de TI precisa estar atento a tudo que está surgindo e, principalmente, entender a aplicabilidade dessa tecnologia para os clientes e a sociedade."

Para o coordenador da Faculdade de Redes da Impacta Tecnologia o futuro da TI está no novo padrão de compra e venda de serviços de cloud. "A demanda será para especialistas em desenvolvimento de aplicações e serviços na nuvem, assim como profissionais que deverão identificar e especificar as necessidades para a melhoria da gestão de negócios", diz.

Aos 20 anos, Caroline Silva já acumula experiência na área de TI. Formada em análise de desenvolvimento de sistemas, a jovem atua na área de suporte a produtos da Microsoft. "Eu trabalho em uma área da qual gosto bastante", diz. Ela já trabalhou nas áreas de infraestrutura e desenvolvimento, mas gosta mesmo, segundo diz, é de suporte a produtos.

Para Caroline, o sucesso na área de TI depende de dedicação, estudo e um bom relacionamento com a equipe. "Faltam profissionais qualificados nessa área. Por isso, quero me desenvolver aqui", conta. A jovem esteve na universidade da Microsoft, em Seattle (EUA), estudando o setor de serviços da companhia. "Voltei com mais vontade de me especializar, entender mais a respeito dos produtos que vou trabalhar para continuar em suporte."

Para o diretor da empresa de recursos humanos Michael Page, João Nunes, não basta ser bom técnico é preciso ter visão de negócio para atuar no setor. "Um profissional com um conjunto de competências tem posição garantida no mercado."

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