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Volume de debêntures em circulação se aproxima de total de empréstimos do BNDES

O volume de debêntures em circulação no mercado financeiro já se aproxima do total de empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), uma das poucas fontes de financiamento de longo prazo no País. Debêntures são títulos de renda fixa emitidos por sociedade anônima para tomar empréstimo no mercado. Seu lançamento pode ser público ou particular.Segundo dados da Associação Nacional do Mercado Financeiro (Andima), o volume de debêntures registrados na entidade já supera os R$ 116 bilhões e há outros R$ 2,68 bilhões em análise na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para serem oferecidos ao mercado. Os empréstimos do BNDES no final de junho, conforme dados do Banco Central, estavam em R$ 129,8 bilhões.Para o superintendente-geral da Andima, Paulo Eduardo Sampaio, o volume de debêntures deve crescer muito até o final do ano. "Tradicionalmente, no segundo semestre registra mais lançamentos do que no primeiro semestre", observou. Além disso, há fatores impulsionando o mercado, tanto do lado da oferta, quando da demanda. "A queda dos juros dos títulos públicos está levando os grandes investidores a buscar novos papéis. E as debêntures são títulos que se encaixam no perfil de alguns investidores, como os fundos de pensão, que aplicam a longo prazo", observou Sampaio em entrevista ao Estado. As empresas, por sua vez, estão preferindo fazer captações em reais, temerosas de que a grande apreciação do real frente ao dólar possa ser revertida nos próximos anos. "Muitas empresas temem que a cotação do dólar frente ao real suba, o que oneraria os custos, devido à correção cambial", complementou.O grande aumento no volume de debêntures se acelerou nos últimos dois anos, ampliando as fontes de recursos a longo prazo para as empresas, antes restritas basicamente aos bancos estatais de fomento. No final de 2004, o estoque de debêntures no mercado estava em R$ 44,5 bilhões, ante uma carteira de empréstimos do BNDES de R$ 110,013 bilhões, o que dava uma relação de 40,5%. Um ano depois, no final de 2005, havia R$ 84,9 bilhões em debêntures ante R$ 124,1 bilhões de empréstimos do BNDES, com a relação subindo para 68,5%, No final de junho o estoques de debêntures subiu para R$ 95,3 bilhões e os empréstimos do BNDES atingiram R$ 129,9 bilhões, com a relação chegando a 73,4%. Enquanto o volume de debêntures mais do que dobrou nos últimos anos, os empréstimos do BNDES cresceram em torno de 30% no período.Algumas empresas estão conseguindo captar volumes expressivos de recursos através de colocação de debêntures a custos atraentes, na avaliação de Sampaio. A empresa de leasing do Bradesco, por exemplo, conseguiu R$ 6,5 bilhões no mercado pagando taxas equivalentes a 100% do DI, o que significa uma taxa em torno de 14,25% ao ano. A Ambev captou cerca de R$ 2 bilhões, com taxas entre 101,75% a 102,5% da taxa DI, o que corresponde a um custo inferior a 15% ao ano, que é menos da metade das operações de capital de giro praticadas no mercado, que estão entre 30% e 35% ao ano.Para Juarez Dias Costa, sócio-diretor da Oliveira Trust, empresa especializada em estruturar operações no mercado, além das debêntures, as empresas estão emitindo outros papéis, como os Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDs), ampliando as fontes de captação de recursos. Ao contrário das primeiras operações com FIDCs, agora também as empresas de menor porte estão tendo acesso ao mecanismo, disse Costa. "Já há várias operações de empresas com faturamento anual inferior a R$ 100 milhões", comentou. Essas operações estão entre R$ 15 e 20 milhões, o que as torna mais caras, em termos relativos, do que os grandes lançamentos acima de R$ 100 milhões ofertados ao mercado. "Os custos iniciais com advogados e agências de rating são praticamente iguais para operações de R$ 10 milhões ou R$ 100 milhões. Só que os custos fixos se diluem mais em operações do que em pequenas", explica. "Ante as outras opções no mercado interno, porém, como as operações de capital de giro, o custo acaba saindo mais em conta para a empresa", complementou.Costa enfatiza, porém, para que uma empresa consiga sucesso na sua colocação terá de seguir "todo o ritual" para ser conhecida dos investidores. Isso inclui ter demonstrações financeiras auditadas, passar pela avaliação de uma agência de rating e fazer apresentações para os investidores. "Os investidores estão ávidos por novos papéis, com a perspectiva de redução dos juros. Mas estão cada vez mais exigentes com a transparência e governança das companhias", comentou Costa.

Agencia Estado,

14 de setembro de 2006 | 19h22

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