Setor de serviços cai 3,8% com paralisação dos caminhoneiros

Resultado de maio foi o pior desempenho já registrado desde 2011, segundo pesquisa feita pelo IBGE

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

13 Julho 2018 | 09h00
Atualizado 13 Julho 2018 | 12h27

RIO - Durante a greve de caminhoneiros, que paralisou o abastecimento de alimentos e combustíveis em maio, o volume de serviços prestados na economia caiu 3,8% em relação a abril, quando o setor registrou o primeiro resultado positivo do ano. O resultado de maio foi o pior desempenho já registrado na série histórica da Pesquisa Mensal de Serviços, iniciada em 2011, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, 13.

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O resultado veio dentro das 13 estimativas ouvidas pelo Projeções Broadcast, que iam de queda de 6,20% a 0,20%, com mediana negativa de 3,70%, muito abaixo da expansão de 1,1% (dado já revisado) verificada em abril na comparação com março.

 

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, os serviços recuaram também 3,8% em maio deste ano, a queda mais acentuada desde abril de 2017, quando a taxa encolheu 5,7%. 

A taxa acumulada em 12 meses ficou em -1,6% em maio, contra -1,4% em abril, interrompendo a trajetória ascendente iniciada em abril de 2017.

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O setor é tradicionalmente o último a se recuperar em momentos de crise e a reversão do movimento é explicada, em grande parte, pela paralisação dos caminhoneiros no mês, já que o frete é um componente importante na conta de serviços. Mais do que isso, a greve repercutiu no dia a dia das indústrias e das cidades, que também têm grande demanda por serviços dos mais variados tipos.

"Aí entra o fato de os transportes de todos os tipos de cargas terem sido prejudicados pelo bloqueio nas estradas. Também ocorreu uma menor circulação das pessoas nos centros urbanos, já que faltou combustível em praticamente dois finais de semana", explica o economista Alejandro Padron, da 4E Consultoria, que projetava uma queda de 2,5% do volume de serviços

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Com menos pessoas nas ruas, apontou o economista da 4E Consultoria, o movimento em shoppings e restaurantes também foi prejudicado, sem contar a operação reduzida de linhas de ônibus e também menos corridas de táxis e aplicativos.

 

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