Tiago Queiroz/Estadão
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Sob efeito da pandemia, setor de serviços registra queda recorde de 11,7% em abril ante março

Na comparação com abril do ano anterior, houve redução de 17,2%, já descontado o efeito da inflação; número veio pior que as estimativas de economistas

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2020 | 09h17
Atualizado 17 de junho de 2020 | 12h44

RIO - Assim como a produção industrial e as vendas do comércio varejista, a prestação de serviços no País mergulhou em abril ao patamar mais baixo já registrado, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Serviços divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

  

Em meio à pandemia do novo coronavírus, o volume de serviços prestados teve uma queda histórica de 11,7% em abril ante março, com perdas recordes em todas as cinco atividades investigadas.

“No mês de março a gente teve os últimos dez dias mais afetados, e agora no mês de abril temos 30 dias afetados pelas medidas de isolamento social e restrição de funcionamento para atividades econômicas”, justificou Rodrigo Lobo, gerente da Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE.

Em abril, se destacaram as quedas nos transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (-17,8%) - puxada pelo transporte aéreo (-73,8%) e pelo transporte terrestre (-20,6%) – e nos serviços prestados às famílias (-44,1%) - impactados pela interrupção na prestação de serviços de alojamento e alimentação (-46,5%) e de outros serviços prestados às famílias (-33,3%).

Os demais resultados negativos foram de serviços profissionais, administrativos e complementares (-8,6%), informação e comunicação (-3,6%) e outros serviços (-7,4%).

Os serviços já acumularam uma perda de 17,9% em março e abril em decorrência da pandemia do novo coronavírus. Nos serviços prestados às famílias, a queda acumulada foi de 61,6% nos dois meses sob efeito da crise sanitária, enquanto os transportes encolheram 24,9%. O transporte aéreo despencou 80,9% no bimestre março e abril, enquanto o transporte terrestre acumulou uma queda de 28,9%.

“A recuperação, quando vier, vai ocorrer de forma bastante devagar e paulatina”, previu Lobo, mencionando que algumas empresas não conseguirão retomar as atividades imediatamente depois que forem flexibilizadas as medidas de combate à disseminação da covid-19 e outras podem fechar as portas de forma definitiva.

O agregado especial de atividades turísticas acumulou uma retração de 68,1% na pandemia. Houve queda de 30% em março ante fevereiro, seguida de novo recuo de 54,5% em abril ante março. O turismo correspondia a 13% do setor de serviços em fevereiro, no pré-pandemia, encolhendo para 4,86% da pesquisa de serviços em abril. Para Rodrigo Lobo, a pandemia “frustrou de vez qualquer tipo de recuperação do setor de serviços na economia brasileira”.

“Comércio, indústria e serviços mostram o mesmo tipo de movimento nesses dois últimos meses, de queda brusca”, ressaltou Rodrigo Lobo.

No mês de abril, os serviços operavam 27,0% abaixo do ponto mais alto registrado em novembro de 2014. O comércio funcionava 22,7% abaixo do pico alcançado em outubro de 2014, enquanto a indústria estava 38,3% aquém do auge atingido em maio de 2011.

No entanto, o setor de serviços não deve registrar nova queda recorde em maio, após as perdas históricas acumuladas em março e abril, segundo o gerente do IBGE. Lobo lembra que indicadores antecedentes, como sondagens de confiança e fluxo de veículos em estradas com pedágio, mostraram alguma melhora em maio.

“Se a taxa de maio for negativa, ela não vai registrar quedas recordes como essas de abril. Seja ela uma taxa positiva ou uma taxa negativa, não vai ser negativa a ponto de ser recorde de queda, e não vai ser positiva a ponto de indicar algum tipo de recuperação acelerada para o setor de serviços”, explicou Rodrigo Lobo.

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