Volume de serviços prestados no País cai 6,3% em novembro

É o pior resultado desde o início da série do IBGE, em janeiro de 2012; serviços prestados às famílias acumulam 18 meses seguidos de retração

Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2016 | 09h51

RIO - O volume de serviços prestados recuou 6,3% em novembro de 2015 ante igual mês de 2014, já descontados os efeitos da inflação, informou nesta quinta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se do pior resultado desde o início da série, em janeiro de 2012. Em outubro ante igual mês de 2014, a redução havia sido de 5,8%.

Com isso, o volume de serviços prestados acumula queda de 3,4% no ano. Já em 12 meses, o recuo de 3,1% é o maior já verificado em toda a série histórica, iniciada em janeiro de 2013 neste tipo de comparação.

Segundo o IBGE, o volume de serviços prestados às famílias teve queda ainda maior: 6,6% ante igual mês de 2014. Trata-se do pior mês de novembro para o setor, que já acumula 18 meses seguidos de retração nessa comparação.

O gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, Roberto Saldanha, afirmou que a retração na renda das famílias e o avanço dos preços dos serviços têm levado os brasileiros a cortar gastos do dia a dia e adiar planos de viagens. "Houve uma queda significativa na renda, e isso reflete no setor", disse Saldanha. Em novembro, a massa de renda real das famílias diminuiu 12,2% em relação a igual mês de 2014. O rendimento médio mensal, por sua vez, caiu 8,8% no período.

Setores. O volume de serviços profissionais, administrativos e complementares também cedeu 6,6% em novembro ante igual mês de 2014. O resultado é puxado pelos serviços técnico-profissionais (-7,1%), embora o segmento administrativo e complementar também tenha piorado (-6,4%).

De acordo com Saldanha, a redução no volume de serviços administrativos e complementares prestados deve provocar ainda mais desemprego, já que o setor é intensivo em mão de obra. "Os principais demandantes são empresas e governos, e o que vemos é que eles estão cortando gastos", afirmou.

Já o volume de serviços de transportes recuou 8,2% - uma contribuição de -2,6 pontos porcentuais no resultado geral. O principal impacto negativo veio do transporte terrestre (-13,8%). "Isso se deve ao menor consumo de matéria-prima pela indústria e ao menor volume de transportes necessários ao escoamento de sua produção", explicou Saldanha.

O setor aéreo, por sua vez, registrou aumento real de 11,3% na atividade em novembro ante igual mês de 2014, apontou o IBGE. "Isso se deve à redução de tarifas, que provocou aumento real no volume desses serviços", disse Saldanha.

Apesar da alta no setor aéreo, o Índice de Atividades Turísticas (IATUR), que reúne serviços de diversos segmentos (desde passagens até alojamento e aluguel de carros), encolheu 1,9% em novembro ante igual mês de 2014. "Esse resultado é uma função direta da renda e do dólar. Quando o dólar aumenta, inibe o turismo", explicou Saldanha. No caso do IATUR, há ainda uma influência negativa do turismo de negócios, que também tem apresentado desaceleração nos últimos meses, acrescentou o gerente. 

Os serviços de informação e comunicação tiveram queda de 4,4%, enquanto os outros serviços encolheram 7,4%.

Telecomunicações. O setor de telecomunicações, antes resistente à desaceleração na atividade de serviços, teve em novembro o maior tombo desde que o IBGE iniciou a pesquisa. O volume de serviços prestados em telecom encolheu 4,7% ante novembro de 2014, devido à menor demanda corporativa e também à necessidade das famílias em cortar gastos.

"O setor de telecomunicações atua em duas vertentes, corporativa e para as famílias. Nos últimos meses, o desaquecimento dos negócios em geral provocou redução nas linhas corporativas", explicou Saldanha. Segundo ele, foram afetados serviços de telefonia fixa, móvel, internet e outros mais específicos, como transmissão de dados e linhas privadas de comunicação.

"Nas famílias, em função da redução do poder de compra, também há redução de telefonia fixa, celular e ainda TV por assinatura, que não é um bem essencial", disse Saldanha. "Os serviços de mensagem gratuitos também contribuem, ferramentas digitais de custo zero são um facilitador (para os cortes)", acrescentou.

Desde agosto de 2015, o IBGE divulga índices de volume no âmbito da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS). Antes, o órgão anunciava apenas os dados da receita bruta nominal, sem tirar a influência dos preços sobre o resultado. Por esse indicador, que continua a ser divulgado, a receita nominal recuou 0,8% em novembro deste ano ante igual mês de 2014.

A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) ainda não conta com dados com ajuste sazonal (que permitem a análise do mês contra o mês imediatamente anterior), pois, segundo o IBGE, a dessazonalização requer a existência de uma série histórica de aproximadamente quatro anos.

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