Fernando Frazão/Fotos Públicas
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Volume de serviços prestados recua 4,5% em abril

Foi o 13º resultado negativo consecutivo e o pior desempenho para meses de abril da série histórica da Pesquisa Mensal de Serviços, que começou em 2012; setor de transporte sofreu a maior retração

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

15 Junho 2016 | 09h40

RIO - O volume de serviços prestados recuou 4,5% em abril de 2016 ante igual mês de 2015, já descontados os efeitos da inflação, informou há pouco o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o 13º resultado negativo consecutivo e o pior desempenho para meses de abril da série histórica da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), iniciada em 2012. Em março, volume de serviços prestados recuou 5,9% ante março de 2015. Com o resultado de abril, o volume de serviços prestados acumulou queda de 4,9% no ano e recuo de 4,6% em 12 meses.

A atividade de "transportes, serviços auxiliares de transporte e correio recuou 6,5% em abril ante abril de 2015. Sozinha, essa atividade teve contribuição negativ a de 2,0 pontos porcentuais (p.p.) na taxa de abril.

O pior desempenho no segmento de transportes ficou com a modalidade "transporte terrestre", que recuou 8,8% em abril ante abril de 2015. Também caíram as modalidades "transporte aquaviário" (-2,9%), "transporte aéreo" (-0,1%) e "armazenagem, serviços auxiliares dos transportes e correio" (-4,7%).

As outras quedas nas atividades pesquisadas, sempre na mesma base de comparação, foram nas atividades de "serviços prestados às famílias" (-3,0%); "serviços de informação e comunicação" (-3,0%); "serviços profissionais, administrativos e complementares" (-5,4%); e "outros serviços" (-3,3%).

A subatividade "serviços de tecnologia da informação (TI)", dentro da atividade "serviços de informação e comunicação", foi a única que teve alta (1,6%) no volume de serviços prestados em abril ante abril de 2015. Segundo Roberto Saldanha, analista da Coordenação de Comércio e Serviços do IBGE, alguns contratos de prestação de serviços de tecnologia da informação resultaram em crescimento no volume. Uma das explicações está na existência de contratos específicos para os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio.

Desde outubro de 2015, o órgão divulga índices de volume no âmbito da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS). Antes disso, o IBGE anunciava apenas os dados da receita bruta nominal, sem tirar a influência dos preços sobre o resultado. Por esse indicador, que continua a ser divulgado, a receita nominal subiu 0,4% em abril ante igual mês de 2015.

A série da Pesquisa Mensal de Serviços foi iniciada em janeiro de 2012. Os dados com ajuste sazonal (que permitem a análise do mês contra o mês imediatamente anterior) começarão a ser informados a partir da próxima divulgação, em julho. Segundo o IBGE, a dessazonalização requer a existência de uma série histórica de aproximadamente quatro anos.

Famílias. Segundo o IBGE, na atividade de serviços prestados a famílias, talvez o pior já tenha passado. O ritmo de queda na atividade "serviços prestados a famílias" caiu de 3,8% em março para 3,0% em abril. No acumulado em 12 meses, a queda no volume de serviços prestados nessa atividade ficou em 5,0% em abril, ante 5,3% em março, o que, segundo Saldanha, já indica estabilização ou reversão da tendência de queda, embora ainda longe de sinalizar recuperação.

Os serviços prestados a famílias são afetados por desemprego e queda na renda, mas essa atividade concentra os serviços mais essenciais. "No momento em que as famílias enfrentam redução no poder aquisitivo, cortam no que não é essencial. Vão reduzir seus gastos em telefonia e TV por assinatura", afirmou Saldanha, lembrando que a universalização da TV digital contribui para essa mudança no hábito de consumo, pois a imagem da TV aberta melhorou. 

Indústria. A desaceleração na queda do volume de serviços prestados na passagem de março, quando caiu 5,9% em relação a março de 2015, para abril, com recuo de 4,5% em relação a igual período do ano passado, pode ser explicada pelo desempenho da indústria, afirmou Saldanha. A produção industrial também desacelerou a queda na passagem de março para abril, sempre na comparação com iguais meses de 2015, de -11,4% para -7,2%.

"Os serviços estão totalmente atrelados à indústria. A indústria teve queda menor em abril do que em março. Os serviços tendem a acompanhar tendências na indústria", explicou Saldanha.

Apesar disso, ainda será difícil o volume de serviços prestados fechar 2016 no azul. Nas contas de Saldanha, seria preciso que os serviços avançassem à média de 0,6% ao mês (na comparação com iguais meses de 2015) de maio a dezembro para o volume crescer zero em relação a 2015.

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