Helvio Romero/Estadão
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ESG

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Serviço e varejo aliviam pressão sobre PIB

Alta de 0,8% do setor em julho, aliada ao avanço de 1% do varejo, tira do cenário a estimativa de um crescimento zero da economia

Daniela Amorim e Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2019 | 10h44
Atualizado 12 de setembro de 2019 | 21h06

RIO E SÃO PAULO - Depois da surpresa positiva com o desempenho do varejo em julho, agora foi a vez de o setor de serviços também animar economistas sobre um possível aquecimento do consumo das famílias. O volume de serviços prestados no País subiu 0,8% em relação a junho, o melhor desempenho para o mês desde 2011, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A expectativa de analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast era de um crescimento mediano de 0,15%. O varejo, por sua vez, cresceu 1% em julho ante junho, enquanto o mercado esperava alta de apenas 0,1%.

O resultado traz uma perspectiva mais favorável para o cenário econômico do segundo semestre, que ainda deve ter o impulso da liberação de R$ 30 bilhões de recursos extras das contas inativas do FGTS e do PIS/Pasep. Mesmo assim, economistas preferem aguardar novos dados para avaliar se essa pode ser uma retomada sustentável da atividade econômica.

Segundo a economista-chefe da consultoria Rosenberg Associados, Thaís Zara, no caso específico dos serviços, está evidente que o setor passa por um processo de recuperação econômica. “No acumulado dos últimos 12 meses, é um setor que tem crescimento de 0,9%.”

O bom desempenho dos serviços e do varejo em julho não estava no radar e dá um alívio para a perspectiva do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, mas não sugere euforia, opinou Daniel Silva, economista da gestora de recursos Novus Capital.

“Os dados de julho afastam de forma mais definitiva a possibilidade de PIB zero ou negativo no terceiro trimestre, mas ainda é cedo para rever para cima projeção de 0,2% (no trimestre). Para ter PIB acima disso e mais próximo de 0,5% teríamos de ver não só uma melhora do consumo, mas uma ajuda da indústria, que deve continuar fraca em agosto”, disse Silva.

A indústria, um dos motores da atividade econômica, ainda está no vermelho, lembrou Thiago Xavier, economista da Tendências Consultoria Integrada. A produção industrial encolheu 0,3% em julho ante junho. O setor sentiu os efeitos da guerra comercial entre EUA e China, da crise argentina e acumulou estoques indesejados nos últimos meses.

Fabio Bentes, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio, também está cauteloso. “Não dá para dizer que se trata de uma tendência por conta dos fracos resultados do mercado de trabalho.”

Balanço

A expansão de 0,8% obtida pelos serviços apenas recupera a perda de 0,7% do mês anterior, ponderou o gerente da Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE, Rodrigo Lobo. Segundo ele, mesmo a alta de 0,8% acumulada de janeiro a julho de 2019 “está muito mais ligada à base depreciada do que a uma trajetória de recuperação”.

De 2015 a 2017, o setor de serviços acumulou uma perda de 11,0%, seguida por uma estagnação em 2018. No ano de 2019, o setor ficou positivo em apenas três dos sete meses já divulgados e está 1,2% abaixo do patamar que encerrou o ano passado. “Continua errático o comportamento do setor de serviços”, resumiu Rodrigo Lobo, do IBGE. /COLABORARAM CÍCERO COTRIM E THAÍS BARCELLOS

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