Setor de serviços cresce 1,3%, no 3º mês seguido de alta

Em comparação ao mesmo mês de 2016, junho teve queda de 3%; segmento depende da indústria

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

16 Agosto 2017 | 09h30

RIO - Depois de a indústria e o varejo já terem mostrado sinais positivos em junho, o setor de serviços também trouxe boas notícias sobre o princípio de reação na atividade econômica no País após um longo período de recessão. O volume de serviços prestados cresceu 1,3% em relação a maio, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Serviços divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado completa uma sequência de três meses de avanços consecutivos. Alguns fatores colaboram com uma perspectiva mais otimista para o setor, como a recuperação da renda dos trabalhadores ocupados, a relativa melhora no mercado de crédito e a geração de empregos formais detectada pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), apontou a Tendências Consultoria Integrada. 

“O melhor dinamismo da produção industrial também é um sinal positivo para o desempenho das atividades de serviços ligadas a transporte neste ano. Por outro lado, cabe observar que a melhora do setor deve ser lenta, diante das perdas dos últimos anos”, ponderou Thiago Xavier, analista da Tendências.

O volume prestado encolheu 3,0% em junho, em relação ao mesmo mês de 2016, completando uma sequência de 30 meses consecutivos de retração.

“Talvez a pior fase já tenha passado, mas não temos evidências ainda para apostar ou afirmar que haja uma recuperação”, avaliou Roberto Saldanha, analista na Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE.

Segundo Saldanha, o setor de serviços depende de uma retomada mais significativa da produção industrial. Por enquanto, os resultados positivos este ano na indústria, na agropecuária e no comércio têm ajudado alguns segmentos de serviços, como os transportes, mas outras atividades permanecem no negativo.

“Os serviços ainda estão muito perto do fundo do poço, não vimos a recuperação que tem aparecido na indústria e no varejo. Dos três setores, os serviços têm, de longe, a pior situação. A crise no setor começou mais tarde, e ele vai se recuperar mais tarde também”, estimou Everton Carneiro, analista da RC Consultores, que manteve sua previsão de recuo de 0,2% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do segundo trimestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2016.

Trimestre. O volume prestado de serviços aumentou 0,3% no segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre do ano, interrompendo uma sequência de nove trimestres seguidos de resultados negativos. Na comparação com o segundo trimestre de 2016, porém, houve retração de 3,6%.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) revisou sua expectativa para o desempenho dos serviços em 2017, de uma queda de 3,8% para um recuo de 3,6%. Embora reconheça como positivo o crescimento na passagem de maio para junho, a entidade atribui o bom desempenho ao comportamento dos preços. Em junho, os serviços tiveram deflação de 0,3%, a maior queda de preços desde março de 2016, calculou o economista Fabio Bentes, da Divisão Econômica da CNC.

“Acho que é um efeito de curtíssimo prazo. No longo prazo, os serviços ainda enfrentam uma resistência muito grande da inflação, que atualmente está em 5,42% em 12 meses, e da falta do componente confiança. Cerca de 91% da pesquisa do IBGE é de serviços prestados a empresas, menos de 10% se refere a serviços prestados às famílias. Então a pesquisa tem muito mais a ver com investimento do que com consumo”, lembrou Bentes.

 

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