Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Volumes e preços no comércio externo

Um estudo recente do efeito sobre a América Latina de uma eventual queda dos preços das "commodities" concluiu que o Brasil seria um dos países da região menos atingido. Certamente, para se avaliar os efeitos de uma eventual queda de preços, o mais interessante é observar a evolução, em cada categoria de produtos, dos preços e do volume tanto das exportações quanto das importações.A Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) divulga mensalmente dados sobre esses indicadores que mostram que, de uma maneira geral, evoluem em sentido contrário: na exportação, um aumento dos preços provoca redução do volume; na importação, a redução dos preços se traduz por uma elevação do volume.Na exportação, em geral, em maio, houve uma elevação dos preços, nos últimos 12 meses, de 11,3%, enquanto o volume apresentou aumento de apenas 6,8%. No caso dos produtos básicos, com alta de preços de 7,4%, houve um aumento de 13,5% no volume, o que mostra a forte demanda do mercado internacional. A situação é diferente para os semimanufaturados: a forte demanda se traduziu por uma elevação de 22,1% dos preços, mas de apenas 7,7% do volume. Nos manufaturados (que têm maior valor agregado) a elevação de preços de 11,1% permitiu aumento de apenas 3,7% do volume exportado, fato mais sensível no caso dos bens duráveis, em que houve reajuste de preços de 8,6%, mas queda de 10% do volume, diante da forte concorrência da China.As importações mostram uma situação totalmente inversa: os preços nos 12 últimos meses aumentaram 4,5% e o volume cresceu 20,3%.Dois setores exibem resultados muito diferentes da média. Os bens de capital tiveram queda de 0,9% nos preços com elevação de 26,7% do volume importado. Isso explica, em grande parte, o crescimento dos investimentos que se aproveitaram da queda dos preços para encomendar bens de capital no exterior. O outro setor bem diferente da média geral é o dos bens duráveis: em 12 meses os preços aumentaram 3,5% (ligeiramente abaixo da inflação interna), mas o volume cresceu 65,1%, mostrando a invasão dos produtos importados, especialmente eletrônicos e eletrodomésticos. O único setor em que há equilíbrio entre preço e volume é o dos combustíveis (11,9% e 11,5%, respectivamente). São dados que devem ser levados em conta na definição de uma política industrial.

O Estadao de S.Paulo

21 de julho de 2007 | 00h00

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