Volvo/Divulgação
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Volvo desenvolve estudos para produção de caminhões elétricos no Brasil

Fabricante avalia como preparar a fábrica de Curitiba para operar, inicialmente, com veículos a diesel e eletrificados

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2021 | 14h43

O centro de desenvolvimento da Volvo em Curitiba (PR) desenvolve estudos para preparar a fábrica para a produção de caminhões e ônibus elétricos e ampliação de projetos de versões autônomas. As pesquisas envolvem cadeia de fornecedores para peças que serão fabricadas localmente, aplicações alternativas e reciclagem das baterias após o uso nos veículos e também a preparação da linha de montagem do futuro que terá de ser flexível pois, inicialmente, a produção de veículos a diesel terá de conviver com a tecnologia elétrica. 

“Estamos estudando todos esses aspectos, que começam com a competência, análise das alternativas, desenvolver os parceiros locais e fazer investimentos”, afirma Wilson Lirmann, presidente da Volvo América Latina. Ele não informa datas, mas diz que “há cenários e planos e, em algum momento, nós teremos caminhões elétricos produzidos no Brasil”. 

O grupo já tem sete caminhões autônomos desenvolvidos no País e lançados em 2017 que estão operando no cultivo da cana de açúcar. No futuro essa tecnologia será ampliada para áreas de mineração. Lá fora há modelos operando nesse segmento, assim como em atividades específicas, como transporte de contêineres dentro de portos. “Globalmente a Volvo também trabalha no desenvolvimento de veículos a célula de combustível a hidrogênio."

Lirmann afirma que a marca também tem disponíveis modelos a gás, mas aguarda definições sobre infraestrutura de abastecimento e maior escala para avaliar a introdução do Brasil. “Hoje nossos caminhões a diesel já são bastante econômicos em parte por causa dos sistemas de conectividade que ajudam o motorista, por exemplo, a dirigir de acordo com o terreno em que está rodando”, diz o executivo. Na América Latina, segundo ele, já há mais de 80 mil veículos da marca conectados.

Os estudos para a mudança tecnológica de caminhões e ônibus estão incluídos no investimento de R$ 1 bilhão que o grupo anunciou no Brasil para o período de 2020 a 2023 e que inclui, também gastos com novos produtos, serviços e pesquisa e desenvolvimento.  Um ônibus elétrico importado da Suécia será testado no Brasil nas próximas semanas, com adaptações para as estradas locais.

No Brasil, a Volkswagen Caminhões e Ônibus inicia em abril a produção em série de caminhões elétricos e a Fábrica Nacional de Mobilidade (FNM) já está produzindo modelos de pequeno porte em Caxias do Sul (RS). Ambas já receberam encomendas da Ambev.

Contratações temporárias

A falta de componentes para a produção de caminhões e ônibus, a exemplo do que ocorre também com os automóveis, tem levado a Volvo a trazer peças do exterior por avião, o que encareceu os preços dos produtos e parte teve de ser repassada aos clientes. O problema deve persistir nos próximos meses mas, ainda assim, a fabricante iniciou o ano com contratações para ampliar a produção na fábrica de Curitiba, especialmente de caminhões.

Com as novas vagas, por enquanto temporárias, o grupo emprega hoje 3,8 mil funcionários, 100 a mais do que no período pré-pandemia, informa Lirmann. Segundo ele, os contratos têm prazos de seis meses a um ano e possibilidade de prorrogação. Para ele, contudo, há grandes chances de contratação por prazo indeterminado.

A companhia prevê para este ano crescimento de 40% no mercado total de caminhões de maior porte (acima de 16 toneladas de capacidade de carga), o que compensará a queda de 23% registrada no ano passado e ainda resultará em crescimento real. “Há vários segmentos da economia que operam em alta velocidade, como o agrícola, de mineração e de e-commerce e nós estamos ligados a eles”, diz Lirmann.

Ele ressalta que a falta de componentes, entre os quais semicondutores, é global e não afeta apenas o setor automotivo. Com o arrefecimento da pandemia de covid-19 no ano passado, houve suspensão de encomendas e as empresas fizeram projetos de quedas significativas nas vendas do ano. No segundo semestre, contudo, houve uma retomada acima do esperado e as fabricantes de insumos e peças ainda não conseguiram retomar a produção em ritmo capaz de atender toda a demanda.

Segundo ele, há paradas pontuais na fábrica mas a empresa tem adotado medidas como ampliar o número de fornecedores - foi o caso de pneus - e de trazer peças de fora por avião, o que é mais rápido e também mais caro do que por navios. “Isso tem impacto nos custos e, em alguma medida, estamos reposicionando os preços dos produtos”, afirma o executivo.

Mercado em recuperação

No meio da pandemia no ano passado, a Volvo abriu um programa de demissões voluntárias (PDV). Foi um ajuste estrutural, informa Liermann, levando em conta a paralisação das fábricas e o cancelamento de pedidos. Após o retorno das operações houve recuperação de volumes e a marca vendeu 14,9 mil caminhões no mercado brasileiro e exportou 2,8 mil para países da região, totalizando 17,8 mil unidades, 13% abaixo de 2019.

No segmento de ônibus, que segue em dificuldades, foram vendidas 444 mil chassis no Brasil e 958 na região e na África, somando 1,4 mil unidades, queda de 24% em relação ao período anterior. 

O mercado total de caminhões, incluindo os de pequeno e médio porte, teve vendas de 90 mil unidades em 2020 e, para este ano, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) projeta alta de 13%. O segmento de pesados em que a Volvo atua vendeu 67 mil unidades e deve chegar a quase 94 mil, segundo previsão da empresa. Pelas contas da Anfavea o segmento de ônibus também deve crescer 13% este ano, para 16 mil unidades.

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