Volvo encerra segundo turno de produção no complexo industrial de Curitiba

Medida, que visa a ajustar a produção à baixa demanda do mercado, provocará excedente de 600 trabalhadores no complexo, que tem cerca de 4,2 mil funcionários; GM paralisa atividades do segundo turno, por tempo indeterminado, em São José dos Campos

Igor Gadelha, O Estado de S. Paulo

07 Maio 2015 | 19h24


Atualizado às 21h40

A Volvo anunciou nesta quinta-feira que vai encerrar o segundo turno no complexo industrial de Curitiba (PR) para ajustar a produção à baixa demanda do mercado. Segundo a montadora, a previsão é de que a medida seja tomada a partir de segunda-feira. A empresa informou que o encerramento provocará um excedente de 600 trabalhadores no complexo, que possui cerca de 4,2 mil funcionários. O anúncio do fim do segundo turno ocorre dois dias após 1,5 mil operários da unidade voltarem de afastamento em razão do banco de horas.


"As medidas precisam ser tomadas para amenizar os efeitos da crise que afeta o setor de transportes no Brasil, provocada pela deterioração dos índices econômicos e pelo baixo crescimento da economia", justificou a Volvo em nota à imprensa. De janeiro a abril deste ano, as vendas de caminhões acumulam queda de 39,3% em relação a igual período do ano passado, de acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).


Alegando "esforço para evitar a demissão" dos 600 trabalhadores que se tornarão excedentes, a Volvo propôs ao Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba manutenção do nível de empregos até dezembro deste ano, sem desligamentos por causa de quedas de volume e com utilização de banco de horas emergencial ou de sistema equivalente. Ofereceu também reajuste na data-base, em setembro, com reposição integral da inflação para salários de até R$ 7 mil e redução da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) para R$ 15 mil em 2015.


Em audiência na noite de quarta-feira e manhã de hoje, a maioria dos trabalhadores rejeitou a proposta da empresa, de acordo com o sindicato. Eles consideram que a medida apenas mantém o nível médio de emprego e flexibiliza a política salarial. "Precisamos manter o foco na luta pela manutenção dos empregos, mas, ao mesmo tempo, não podemos aceitar qualquer tentativa de redução de direitos conquistados com anos de luta", disse o presidente do SMC, Sérgio Butka, em nota postada no site do sindicato.


Com a rejeição da proposta pelos trabalhadores, uma nova rodada de negociação deve ser realizada entre sindicato e direção da Volvo para tratar do tema nos próximos dias. No Complexo Industrial em Curitiba, a Volvo possui cinco fábricas, onde produz caminhões, ônibus, motores, cabines de caminhões e caixas de câmbio. Na unidade, cerca de 1,5 mil metalúrgicos estiveram em bancos de horas de 24 de abril a 5 de maio para adequar produção à baixa demanda do mercado.


GM. Também com o objetivo de adequar a produção à baixa demanda do mercado, a General Motors (GM) informou que paralisou a partir desta quinta-feira (7), por tempo indeterminado, as atividades do segundo turno da fábrica de veículos utilitários do complexo industrial de São José dos Campos, no Vale do Paraíba (SP).


Com a paralisação do segundo turno pela GM, a atividade de montagem de veículos está suspensa. Segundo a empresa, apenas as áreas de funilaria e pintura continuarão funcionando em São José, onde a montadora produz os modelos S-10 e Trailblazer. A companhia não deu mais detalhes. Na unidade, a montadora possui 798 metalúrgicos em lay-off até 7 de agosto, sendo 473 desde março e 325 a partir de amanhã. A GM também tem 467 empregados em licença remunerada desde ontem, por tempo indeterminado, e 819 em lay-off desde novembro até julho em São Caetano do Sul (SP).


A notícia da paralisação do segundo turno em São José pegou o Sindicato dos Metalúrgicos da região de surpresa. Por meio de sua assessoria, a entidade afirmou que a empresa não comunicou oficialmente a decisão previamente. O sindicato afirmou que chegou se reunir com a montadora há alguns dias e questionou sobre a possibilidade, mas a empresa teria negado qualquer paralisação. O sindicato afirmou que, até o momento, não soube de demissões.


Outros cortes. Nesta quarta-feira, outras três montadoras também anunciaram medidas de corte de produção. A Fiat vai dar férias coletivas a 2 mil trabalhadores da fábrica de Betim (MG) por 20 dias a partir da próxima segunda-feira, 11. A Ford vai pôr em lay-off (suspensão temporária dos contratos de trabalho) de 250 funcionários e a Volkswagen de 230, ambas nas unidades de São Bernardo do Campo, no ABC paulista.

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