Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Com incertezas no mercado, o que fazer com os investimentos?

Segundo analistas, momento é de manter a calma e ficar onde está; mas, para alguns, pode ser uma boa hora de ir para a Bolsa

Renato Jakitas, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2020 | 04h00
Atualizado 28 de fevereiro de 2020 | 14h03

Com o forte recuo da Bolsa de Valores esta semana e o dólar alcançando níveis recordes (passou a casa dos R$ 4,50 nesta sexta-feira, 28), uma preocupação se instalou na cabeça de quem tem algum dinheiro para investir: o que fazer? 

Por enquanto, a resposta dos especialistas em finanças é muito simples. O melhor é deixar os investimentos onde estão e manter a calma. Mas, se você for um investidor agressivo e estiver de olho no longo prazo, pode ser um bom momento de entrar ou aumentar a participação na Bolsa.

Para os analistas, o nervosismo que se instalou no mercado por conta do avanço do coronavírus no mundo faz com que qualquer decisão nesse momento possa se revelar equivocada mais à frente. “O que dizer para o investidor? Não faça nada. Não compre e não venda suas ações, espere para ver o impacto dessa doença na economia”, disse Roberto Dumas, professor de finanças do Ibmec. “Mais do que o coronavírus ter chegado ao Brasil, essa queda (nas ações) é a resposta do mercado para a doença ter chegado e se estabelecido na Europa. Isso torna tudo ainda mais incerto.”

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Para o economista-chefe da Necton, André Perfeito, essas quedas no mercado de renda variável para esta semana eram esperadas. A partir da semana que vem, segundo ele, o mercado deve recomeçar a sua caminhada, já dentro de uma nova realidade imposta pelo avanço do coronavírus. “Por incrível que pareça, essa queda registrada agora tem um lado bom, que é já descarregar logo o impacto negativo dessa doença. Agora, vai depender dos desdobramentos futuros.”

Para os clientes, a recomendação de André Perfeito é, no mínimo, complexa. “É difícil dizer alguma coisa agora. De forma geral, não faça mesmo nenhum movimento, espere. Mas se o cliente tiver mais apetite de risco, existem opções”, afirma.

Por opções, Perfeito sugere o que o maior investidor individual do Brasil, o paulistano Luiz Barsi, diz ter feito. Com mais de R$ 2 bilhões aplicados na B3, ele conta que a quarta-feira, 26, foi dia de ir às compras. “Comprei mais de um milhão de ações”, celebrava, por volta das 16 horas, ainda restando quase duas horas para o fechamento do pregão.

No fim do dia, Barsi descarregou mais de R$ 10 milhões na B3 e resumiu a jornada em tom professoral. “Você não pode se esquecer que o mercado de ações não é de risco, é de oportunidade. E quando as oportunidades aparecem, você tem de comprar”, disse.

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A estratégia de Barsi agrada alguns especialistas. Álvaro Frasson, economista do BTG Pactual Digital, é um deles. “Se você é conservador, o momento é de incerteza. Agora, se for agressivo, com visão de longo prazo, pode ser um bom momento para entrar na Bolsa”, diz. 

Para justificar o tom otimista, conta que elaborou um estudo, com base nas últimas cinco grandes epidemias que assolaram o mundo a partir dos anos 2000 - do ebola ao Sars. “Meus estudos apontam que, em média, três meses após o auge dessas doenças, os mercados já estavam normalizados”, diz. 

O problema na teoria de Frasson é saber quando a atual epidemia alcançará seu ápice. Pelo sim, pelo não, especificamente no âmbito financeiro, fica o conselho do planejador Roberto Agi, especialista pela Planejar. 

“Uma queda dessa magnitude não é algo corriqueiro, mas é esperada quando se fala em renda variável. O principal risco é se o investidor estiver mal alocado, se tiver dinheiro de curto prazo, para pagar contas, em renda variável. Isso é loucura e o tombo será grande. Mas para o longo prazo, acima de 15 anos, tudo bem. Para esse investidor, por enquanto, nada mudou.”

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