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Votação da reforma não pode ser na 'sessão coruja'

É muito comum, em votações que avançam pela madrugada, o País acabar descobrindo somente muito tempo depois que alterações importantes foram introduzidas

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2019 | 15h44

Pela importância da reforma da Previdência para a vida de todos os brasileiros, a votação da proposta não pode ocorrer na calada da noite.

É muito comum, em votações que avançam pela madrugada, o País acabar descobrindo somente muito tempo depois que alterações importantes foram introduzidas ao longo da noite, já tarde demais para reverter o estrago.

Também parlamentares pouco familiarizados com os temas técnicos e complexos da proposta terão menos oportunidade na madrugada de buscar informações mais aprofundadas para votar com maior conhecimento.  

Mais cedo, o líder da maioria na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), deu a senha de que está sendo costurado um acordo para evitar que a votação da proposta seja feita na madrugada.

A ideia é que seja debatido hoje o texto aprovado pela Comissão Especial da reforma da Previdência e iniciar o processo de votação da proposta amanhã.

A sessão de debates deve durar 5 horas, mas há a possibilidade de se realizar duas sessões, o que somariam 10 horas de discussões. A ideia é que sempre discurse um deputado a favor e um contrário à reforma.

O processo de votação é sempre desgastante depois que o texto-base é aprovado. É quando começa a fase de votação de destaques, alterações que têm potencial de mudar a proposta, beneficiando alguns grupos e prejudicando outros. As pressões se intensificaram nessas últimas horas.

Toda a atenção agora tem que estar voltada para a votação dos destaques. Ainda não há margem de segurança para garantir a derrubada dos destaques que podem desidratar a potência de R$ 933 bilhões da economia de despesas.

A estratégia está sendo conduzida para evitar a todo custo deixar a votação do segundo turno para depois do recesso parlamentar. O que não se quer é os deputados expostos nesse período de férias a "porradas" nas suas bases eleitorais. Uma situação dessa traria insegurança para a votação do segundo turno na votação no retorno do recesso.

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