Votação de Previdência na comissão especial será a partir de 8 de maio, dizem fontes

Aliados argumentam que é necessário mais tempo para debater o relatório de Arthur Oliveira Maia e, assim, tentar diminuir as resistências da base aliada sobre a proposta

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2017 | 19h06

BRASÍLIA - Um novo adiamento da votação da reforma da Previdência na comissão especial da Câmara entrou no radar de líderes de partidos da base aliada. Lideranças ouvidas pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, afirmam que a previsão "mais realista" hoje é de que o parecer do deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA) sobre a proposta será votado no colegiado a partir de 8 de maio, e não a partir da próxima terça-feira (2), como previsto até então.

Líderes aliados argumentam que é necessário mais tempo para debater o relatório de Oliveira Maia e, assim, tentar diminuir as resistências da base aliada sobre a proposta. Eles defendem que o texto que for aprovado pela comissão precisa ser o "mais amarrado" possível, para evitar que a base aliada apresente emendas ou vote favoravelmente a emendas apresentadas pela oposição durante a votação plenário, modificando eixos centrais da reforma.

Além da necessidade de mais debate sobre o parecer em busca de consenso, líderes afirmam que votar a reforma na comissão na próxima semana pode ser um risco, pois o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), estará fora do Brasil. Ele viajará para o Líbano para representar o Brasil em eventos da Diáspora Libanesa. Com isso, assumirá o comando da Casa o 1º vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho (PMDB-MG), que, apesar de ser da base, é contra a reforma da Previdência.

Atualmente, a comissão especial está na fase de discussão do parecer. Pelo acordo feito entre a oposição e o governo na semana passada, a discussão começou na última segunda-feira (24) e deveria durar até esta quinta-feira (27). Com isso, a previsão era de que o parecer começasse a ser votado a partir de 2 de maio, um dia após os protestos do Dia Mundial do Trabalhador e próximo da greve geral em protesto contra as reformas da Previdência e trabalhista marcada para esta sexta-feira (28).

Eixo.

Líder do DEM na Câmara, o deputado Efraim Filho (PB), afirmou que agora não há mais um calendário estabelecido. "O eixo é ter um texto maduro a ser votado. O cronograma será consequência desse cenário", disse. O líder do PSDB, Ricardo Tripoli (SP), por sua vez, afirmou que a data de votação dependerá do feedback que os líderes darão. "Não é hora ainda de votar. (...) Tem que ir avaliando, conversando. As lideranças ainda estão auferindo a temperatura em suas bancadas", disse.

O tucano é um dos líderes da base que defendem que a votação da reforma da Previdência no plenário só ocorra no fim de maio. "No final de maio é bom. Sempre advoguei que só se votasse pelo menos a partir do dia 15 de maio", afirmou. Outro que defende adiamento da votação é o líder do PSD, Marcos Montes. Como mostrou ontem o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, para o deputado mineiro, a matéria só deve ser votada no plenário daqui a 30, 45 dias, o que jogaria a votação para junho.

O líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), afirmou que a votação na comissão poderá acontecer "a partir do dia 2", mas que tudo dependerá do andamento das negociações e do presidente do colegiado, deputado Carlos Marun (PMDB-MS). "O ideal é que o texto saia de lá com o maior consenso", declarou. Marun, por sua vez, disse que não tratou sobre adiamento hoje. "Só vou tratar amanhã", afirmou ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Bancadas. Mais cedo, o relator da reforma afirmou que "talvez" tenha de voltar às bancadas dos partidos na Casa para explicar o relatório, apresentado por ele na semana passada. Ele reconheceu que a maioria dos parlamentares não conhece o parecer. "Acho que não conhecem, realmente. Eu, realmente, acho que não conhecem. Pelos corredores da Casa, ouço muitas perguntas que demonstram que ainda há um desconhecimento muito grande em relação a esse texto", afirmou Oliveira Maia.

O relator evitou falar em adiamento da votação da reforma na comissão especial e no plenário, como defendem alguns líderes da base aliada. Segundo ele, essa decisão cabe ao presidente do colegiado e ao presidente da Câmara. "Quem dará esse termômetro será a resposta que estivermos tendo dos líderes partidários, que nos dão esse retorno de como estão as conversas com suas respectivas bancadas", afirmou. 

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