Votorantim Cimentos constrói fábrica e compra empresa nos EUA

Investimento de US$ 450 milhões na Flórida marca um novo ciclo de expansão da Votorantim no exterior

Ricardo Grinbaum, O Estadao de S.Paulo

27 Setembro 2007 | 00h00

A Votorantim está abrindo uma nova temporada de investimentos em cimento no exterior. Dona de empresas de cimento e concreto nos Estados Unidos e no Canadá, a Votorantim vai gastar pelo menos US$ 450 milhões - o equivalente a R$ 740 milhões - para aumentar sua participação de mercado na América do Norte.Serão feitos dois grandes investimentos no Estado da Flórida, onde o grupo brasileiro já controla cerca de 25% do mercado local. A Votorantim acaba de fechar a compra de uma empresa de concreto, a Prestige, por aproximadamente US$ 200 milhões. Além disso, começou a construir uma nova fábrica de cimento na cidade de Sumter, num projeto de US$ 250 milhões. A nova fábrica deverá ficar pronta em julho de 2009.''''Queremos garantir que entre 30% e 35% do faturamento da Votorantim Cimentos venha de empresas no exterior'''', diz o presidente da Votorantim Cimentos, Walter Schalka. ''''Se surgirem novas oportunidades nos Estados Unidos e na Europa vamos olhar.''''ESCALAA Votorantim é uma das dez maiores empresas cimenteiras do mundo, faturou R$ 5,2 bilhões no ano passado e acaba de anunciar um investimento de R$ 1,6 bilhão em aumento de produção no Brasil. No exterior, a prioridade é ganhar mercado nos EUA.A Votorantim Cimentos atua na América do Norte desde 2001, quando comprou a empresa canadense St. Mary''''s, do grupo francês La Farge, por US$ 750 milhões. Em 2003, a Votorantim levou metade da empresa americana Suwannee, na região dos Grandes Lagos, Norte dos EUA.Desde então, a empresa investiu na construção e abertura de novas fábricas, centrais de concreto e distribuidoras. Hoje, o grupo tem sete fábricas na América do Norte e fatura por volta de R$ 1,56 bilhão na região. Além de ter 25% do mercado da Flórida, controla 30% das vendas nos Grandes Lagos.O mercado americano é gigantesco, com vendas de 120 milhões de toneladas por ano, cerca de três vezes a mais do que o Brasil. Os EUA oferecem grandes oportunidades para o crescimento da Votorantim, mas não é um mercado fácil. A disputa é muito fragmentada entre vários fabricantes regionais.''''Há duas tendências nos EUA, a concentração em um número menor de empresas e a verticalização (em que as empresas estão controlando da produção de cimento, ao processamento do concreto à distribuição do produto)'''', diz Schalka.É para crescer - e se proteger do avanço dos rivais - que a Votorantim está querendo ganhar musculatura nas duas regiões onde atua. As duas áreas têm porte de mercados nacionais. Com vendas de 10 milhões de toneladas anuais, o Estado da Flórida equivale a um quarto do mercado brasileiro. Já a região dos Grandes Lagos tem um mercado um pouco maior, de 14 milhões de toneladas por ano.ESTAGNAÇÃOA Votorantim começou a investir em cimento no exterior em um momento em que o mercado brasileiro estava estagnado e oferecia poucas oportunidades de crescimento. Em 1999, o Brasil era o sexto maior mercado do mundo, com 40,4 milhões de toneladas por ano. Seguidas crises financeiras levaram o mercado a desabar para 34 milhões de toneladas em 2003. A situação, agora, se inverteu.''''A recuperação começou em 2005, em 2006 crescemos 9%, mas o movimento mais impressionante aconteceu nos últimos três meses'''', diz José Otávio Carvalho, secretário executivo do Sindicato Nacional do Cimento. Só em agosto, foram vendidos 4,2 milhões de toneladas de cimento, o melhor resultado da história. ''''Com esse ritmo de crescimento, podemos esbarrar em um resultado de 50 milhões de toneladas no ano que vem.''''O mercado do cimento nacional recuperou o fôlego com o crescimento da economia e a retomada da indústria imobiliária, embalado pelo aumento explosivo na concessão de financiamentos. A Votorantim Cimentos começou sua expansão no exterior porque não via perspectiva a curto prazo para o mercado interno, mas a melhora da situação no País não a fez mudar de idéia. ''''Queremos manter um equilíbrio entre receitas aqui e no exterior'''', diz Schalka.Os investimentos em cimento no Brasil e no exterior fazem parte de uma nova rodada de grandes aportes do nos negócios tradicionais do grupo, incluindo mineração, celulose e laranja. Nos próximos quatro anos, o grupo deverá fazer um investimento recorde no valor de R$ 22 bilhões, segundo informou a coluna de Sonia Racy.A maior parte desses investimentos, segundo fontes ligadas à empresa, deve ficar no Brasil. Seriam destinados entre R$ 16 bilhões e R$ 18 bilhões no Brasil e o restante no exterior. Esta semana, o grupo anunciou um investimentos de US$ 500 milhões no aumento da produção de zinco no Peru. Em breve, serão feitos novos anúncios de grandes negócios.POTÊNCIA DO CIMENTOLíder: Dona de 40% do mercado nacional, a Votorantim Cimentos fatura R$ 5,2 bilhões por anoEstrutura: A empresa tem 25 fábricas de cimento no Brasil, 7 na América do Norte e uma na BolíviaCrescimento: A Votorantim Cimentos pretende investir R$ 1,6 bilhão em aumento de produção no Brasil e pelo menos US$ 450 milhões no exterior

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