Votorantim foca em celulose, cimento e metais em novo ciclo de investimentos

Grupo terminou ano com lucro de R$ 4,5 bilhões, inferior aos R$ 6,3 bilhões de 2009; queda é atribuída ao impacto cambial sobre a dívida e à participação menor no Banco Votorantim

David Friedlander e Luiz Guilherme Gerbelli, de O Estado de S.Paulo,

28 de fevereiro de 2011 | 23h00

A família Ermírio de Moraes começou a trabalhar no plano de investimentos do Grupo Votorantim para os próximos cinco anos. A estratégia completa só deve ficar pronta no segundo semestre, mas a família já decidiu que vai focar os recursos em três áreas prioritárias: cimento, metais e celulose.

É uma diferença em relação ao que aconteceu em boa parte dos últimos dez anos, quando o grupo apostou na diversificação e experimentou novas áreas, como tecnologia e biotecnologia, das quais já se retirou. "Demos chance para todo mundo, agora vamos ser mais seletivos", diz José Roberto de Moraes, do Conselho de Administração e presidente da Votorantim Industrial.

Para este ano, o volume de investimentos deve ficar em torno dos R$ 5 bilhões. Desse total, R$ 2,9 bilhões devem financiar a construção de 11 novas plantas de cimento, que o grupo pretende construir entre este ano e 2013. Quando concluído, o projeto ampliará a capacidade de produção de cimento da Votorantim, que já é a maior do País, em mais 50%.

"Nos últimos dez anos, a Votorantim passou de um grupo que faturava R$ 6,2 bilhões, era muito diversificado e basicamente local, para uma estrutura que faturou R$ 29,5 bilhões no ano passado, mais focado e que cresceu internacionalmente", afirma Raul Calfat, diretor-geral da Votorantim Industrial e principal executivo do grupo.

Hoje, o Grupo Votorantim opera em 24 Países - ante apenas um, fora o Brasil, dez anos atrás. É o oitavo maior do mundo em cimento, o maior em suco de laranja e celulose de fibra curta e o quinto em zinco.

Resultados. No ano passado, as empresas da família Ermírio de Moraes registraram lucro líquido de R$ 4,9 bilhões, inferior aos R$ 6,3 bilhões do ano passado - segundo o padrão contábil internacional IFRS, adotado este ano.

Segundo o relatório da administração, a queda é resultado do impacto cambial sobre a dívida do grupo e também sofre efeito de uma menor apropriação dos resultados do Banco Votorantim - que antes pertencia apenas aos Ermírio de Moraes e, hoje, tem o Banco do Brasil como sócio.

O Ebitda (lucro antes do pagamento de impostos, juros, depreciações e amortizações), indicador que mede o desempenho operacional, cresceu 20% de um ano para o outro, passando de R$ 5,5 bilhões em 2009 para R$ 6,6 bilhões no ano passado. O desempenho melhorou por conta da venda de cimento, alumínio e aço para a construção civil e as grandes obras de infraestrutura e em razão da valorização nos preços das matérias-primas que o grupo exporta.

Dois anos depois da crise internacional, que fez o grupo sofrer com a queda mundial no consumo de matérias-primas e perdas bilionárias em operações financeiras, a Votorantim afirma que a dívida do grupo atingiu níveis satisfatórios.

No segmento industrial, o prazo médio do endividamento foi estendido de 3,8 para 5,5 anos. A alavancagem medida pelo coeficiente dívida líquida/Ebitda encerrou o ano em 2,38 vezes. No auge da crise, o número era de 3,4 vezes, segundo Raul Calfat.

Compras. Entre as principais operações do ano passado, o grupo adquiriu o controle da mineradora Milpo, uma das maiores em zinco e cobre do Peru, e uma participação relevante na cimenteira portuguesa Cimpor, com presença em 13 países.

Segundo Fábio Ermírio de Moraes, do Conselho de Administração e vice-presidente da Votorantim Industrial, a expansão do grupo no mercado internacional continua. "Estamos mais focados, mas diversificados geograficamente."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.