Votorantim tenta vender participação na CPFL

Grupo quer cerca de R$ 2 bilhões pela sua fatia de 14,2% na empresa

David Friedlander e Patrícia Cançado, O Estadao de S.Paulo

31 Dezembro 2008 | 00h00

Pressionado pelas perdas de mais de R$ 2 bilhões com derivativos, o Grupo Votorantim está tentando vender sua participação na CPFL, a maior companhia privada do setor elétrico brasileiro. Segundo fontes próximas às negociações, semanas atrás ele já teria oferecido sua parte para a Camargo Corrêa, com quem divide sociedade na VBC Energia, ao lado de alguns fundos de pensão, mas o grupo recusou. A Cemig, por sua vez, estaria interessada em comprar e já teria feito proposta, segundo fontes. O objetivo do Votorantim é reforçar o caixa num momento de baixa liquidez no mercado financeiro e de crédito caro e raro. O grupo pediu cerca de R$ 2 bilhões pelos seus 14,2% na companhia. A Camargo Corrêa achou o preço alto, embora o valor pedido seja o de mercado - a CPFL vale hoje R$ 14,5 bilhões na Bovespa. Além disso, está satisfeita com a participação que já detém na companhia. Mesmo assim, estaria disposta a ajudar o sócio a encontrar um comprador, de preferência de "boa família", segundo o Estado apurou. De acordo com pessoas que acompanham a negociação, o Votorantim estaria mostrando pressa em concluir a operação. Procurado, o grupo não quis se pronunciar. O Votorantim vive um momento delicado. Além das perdas de R$ 2,2 bilhões com derivativos, também teve prejuízos com operações do gênero na Aracruz, onde detém participação, e com a queda do preço das commodities no mercado internacional. O momento, segundo analistas, é pouco apropriado para a venda das ações. Os compradores estratégicos - conglomerados industriais e empresas que atuam na área de energia - estão retraídos, embora a Cemig seja apontada como uma eventual interessada no negócio. Uma saída possível seria atrair os fundos de private equity, como GP e Gávea, na opinião de pessoas que acompanham o assunto. "Mas, nesse caso, o negócio só sairia em outro patamar de preço", diz uma fonte. A lógica dos fundos é comprar barato para vender mais caro no futuro. No mercado brasileiro já se observa um movimento de proteção de capital. Fundos como esses, que estão bem capitalizados, estariam interessados em aplicar seu dinheiro em transações menos sujeitas a flutuações, mesmo que isso implique investimentos em setores muito regulados e com menos chance de consolidação. Os fundos de pensão que já são sócios da CPFL - Previ, Funcesp, Petros, Fundação Sistel e Fundação Sabesp - não são vistos pelos analistas como os candidatos mais prováveis à compra da parte do Votorantim. Só entrariam no jogo caso houvesse alguma pressão por parte do governo, acredita uma fonte. LEILÃO O Votorantim entrou na CPFL em novembro de 1997 por meio do leilão de privatização da companhia. O grupo vencedor, que hoje exerce o controle, era formado pelas empresas VBC Energia - composto na época por Votorantim, Bradesco e Camargo Corrêa -, 521 Participações S/A e Bonaire Participações S/A, empresas controladas pelos fundos de pensão. A Previ, que representa o fundo de pensão do Banco do Brasil, é a maior acionista, com 31%. A VBC Energia é titular de 136.329.808 ações, correspondentes a 28,48% do capital total da CPFL. Há dois anos, o Bradesco deixou o bloco de controle e a VBC Energia, mas permaneceu com 8,9% das ações da CPFL. Após a reorganização societária, os grupos Votorantim e Camargo Corrêa passaram a ter participações iguais no negócio. NÚMEROS R$ 2 bilhões é quanto o Grupo Votorantim quer pela sua participação na CPFL 14,2% é a participação do Votorantim na empresa de energia R$ 14,5 bilhões é o valor atual de mercado da CPFL na Bovespa. No fim de 2007, era de R$ 16,15 bilhões

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