Votorantim vira sócio de indústria farmacêutica

Grupo investe na criação do laboratório mundial moksha8, dedicado a produtos para países emergentes

Marianna Aragão, O Estadao de S.Paulo

17 de abril de 2008 | 00h00

A Votorantim Novos Negócios, braço do Grupo Votorantim, e a Texas Pacific Group (TPG), um dos maiores fundos de investimentos do mundo, anunciaram ontem a criação de uma nova empresa farmacêutica global, para atuar apenas nos mercados emergentes. A companhia, batizada de moksha8 e fundada pelo inglês Simba Gill, ex-presidente da Maxygen, escolheu o Brasil para iniciar suas operações. Deve investir US$ 500 milhões no País nos próximos anos. Os planos incluem trazer para o mercado nacional medicamentos de alta tecnologia e desenvolver e fabricar localmente novos produtos. "Os países emergentes não são o foco das grandes multinacionais, que têm 90% de sua receita baseada nos Estados Unidos e nos países da Europa", diz o diretor-executivo da Votorantim Novos Negócios, Fernando Reinach. "Há uma grande oportunidade." O valor do investimento do grupo no projeto não foi revelado."É um modelo de negócios totalmente inovador, em um mercado onde não há competição dos grandes laboratórios", diz Reinach. Segundo ele, que também é professor da USP e colunista de ciência do Estado, a indústria farmacêutica nos países emergentes movimenta cerca de US$ 1 bilhão por ano. Além de introduzir e fabricar novos medicamentos no País - processo que levará de quatro a cinco anos para ocorrer -, a nova empresa vai promover marcas conhecidas de grandes laboratórios no mercado local. "As grandes companhias investem muito em produtos novos e acabam deixando suas marcas ?clássicas? esquecidas", diz o vice-presidente mundial e líder para o Brasil e América Latina da moksha8, Mário Grieco."A estratégia é promover esses medicamentos maduros como novos produtos, mostrando novas indicações", diz. Segundo ele, com o "relançamento" desses produtos, pode-se alavancar as vendas em até 20%. A nova companhia fechou contratos com a Roche e a Pfizer para promover 22 de suas marcas - como Valium, Lexotan e Bactrim - no Brasil. Pelo acordo, a moksha8 ficará com parte da receita das vendas desses produtos, estimada em R$ 130 milhões por ano. Cerca de 60 profissionais foram contratados no País para dar início ao negócio. Eles irão divulgar os medicamentos entre a classe médica. A previsão é que sejam 500 representantes no País até 2011. A empresa montou escritórios em Hong Kong e Xangai, mas o Brasil é o único país em que as operações já começaram, há cerca de dois meses. Há unidades em São Francisco, na Califórnia, na Filadélfia e em Londres, que trabalham nas parcerias com a indústria farmacêutica. Rússia, Índia, México, Turquia, Coréia,Oriente Médio e África também estão na mira da moksha8."A empresa já nasce multinacional", diz Grieco, que deixou a presidência no Brasil do laboratório Bristol-Myers Squibb para se dedicar ao projeto. Assim como ele, boa parte dos gerentes e diretores da empresa ao redor do mundo foram garimpados em grandes laboratórios como Pfizer, Roche, Millennium e Ranbaxy. Na China, o executivo que chefia as operações, Steen Kroyer, comandava a multinacional AstraZeneca naquele país. Empreendedores de pequenas e médias empresas de biotecnologia também foram chamados a formar o time. ETAPASNo próximo ano, a empresa deve começar a trazer ao mercado brasileiro produtos patenteados por grandes laboratórios. "Vamos licenciar medicamentos de alta tecnologia nos quais as multinacionais não têm interesse imediato em lançar em países como o Brasil", afirma Grieco. Ele não descarta a possibilidade de realizar parcerias com pequenas e médias empresas de biotecnologia para fabricar os produtos. O desenvolvimento e fabricação de produtos farmacêuticos próprios deve começar em cinco anos. "O governo Lula já demonstrou interesse no projeto, mas ainda há falta de corpo técnico", afirmou. NÚMEROSUS$ 500 milhões é o total de investimentos previstos da moksha8 no BrasilUS$ 1 bilhão é o valor movimentado pela indústria farmacêutica nos mercados emergentes90% da receita das farmacêuticas multinacionais está concentrada na Europa e EUA

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