Vulnerabilidade das contas externas continua alta, diz Sobeet

A Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transacionais e da Globalização Econômica (Sobeet) alertou hoje, através do documento Fluxos Recentes de Capitais Financeiros e Crédito Internacional para o Brasil 2002-2003, que a vulnerabilidade das contas externas brasileiras continua alta. Isso, segundo o presidente da sociedade, Antônio Corrêa de Lacerda, aponta para a provável necessidade de um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) quando do vencimento do atual acordo no final deste ano. A única brecha para se evitar a assinatura de um novo acordo seria a entrada de um descomunal fluxo de capitais no segundo semestre, da ordem de US$ 20 bilhões a US$ 30 bilhões em empréstimos de longo prazo. Como a Sobeet reviu para apenas US$ 10 bilhões o fluxo bruto de investimentos estrangeiros no País neste ano, a volta do Brasil ao Fundo é tida como provável. "A nossa vulnerabilidade externa não foi resolvida", disse Corrêa de Lacerda, descartando, porém, o risco de ocorrência de uma crise de maiores proporções.Ao contrário dele, o membro do Conselho Consultivo da Sobeet, o professor Carlos Eduardo Carvalho (PUC-SP), tem uma visão mais pessimista. "É o dinheiro do FMI que garante a solvência externa do País", afirmou. O documento da entidade mostra que, excluídos os ingressos líquidos do FMI, o saldo da conta capital e financeira do País estaria negativo em US$ 7,4 bilhões (dados de abril de 2003). Com o aporte do Fundo, o saldo tornou-se positivo US$ 12,2 bilhões. De acordo com Corrêa de Lacerda, a política macroeconômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva não mostrou até agora "consistência" para enfrentar esse quadro de vulnerabilidade. "É uma política emergencial e matematicamente insustentável", disse. Ele, por exemplo, critica a excessiva valorização da taxa de câmbio nesses primeiros meses do governo Lula. Segundo ele, muito desta valorização pode ser atribuída às elevadas taxas de juros. O professor Carvalho foi além: "Talvez a taxa de juros tenha o propósito perverso de evitar uma crise cambial."

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