VW efetivará 450 trabalhadores e reduzirá jornada em Taubaté

Proposta aprovada possibilita que a empresa reduza a jornada sem a redução dos salários dos trabalhadores

Simone Menocchi, de O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2009 | 19h06

De braços erguidos, em clima de festa, 4 mil metalúrgicos da fábrica da Volkswagen de Taubaté, no interior de São Paulo, aprovaram a efetivação de 450 trabalhadores, a renovação do contrato de outros 200 e a redução da jornada de trabalho. A assembleia aconteceu no pátio da fábrica, as 14h30 e reuniu metalúrgicos dos dois turnos da montadora. A proposta aprovada possibilita que a empresa reduza a jornada em até 25 dias durante o ano de 2009 sem a redução dos salários dos trabalhadores. O contrato de 800 trabalhadores terminaria em fevereiro, mas a montadora decidiu pela prorrogação dos contratos da maioria. O inspetor de qualidade Eder Pereira é um dos 800 trabalhadores que seriam dispensados no mês que vem e torceu muito durante as negociações entre sindicato e empresa. "Nesse momento de crise, a Volks dar essa oportunidade pra gente, é muito bom", comemorava.   Veja também: Desemprego, a terceira fase da crise financeira global De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise    Emocionados, os trabalhadores gritaram, aplaudiram e se abraçaram depois da decisão positiva. "Somos um exemplo para o Brasil em um momento tão conturbado como esse", afirmou o eletricista Cláudio Batista Junior. A assembleia durou cerca de uma hora.   O presidente do sindicato, Isaac do Carmo, antes de colocar a pauta em votação, explicou o acordo firmado com a empresa, garantindo que em caso de agravamento da crise, se houver necessidade de demissão, serão os contratados recentemente os primeiros da lista. Os metalúrgicos com mais tempo de fábrica temiam que a empresa pudesse substituir a mão de obra dos recém contratados pelos trabalhadores que estão na VW há mais tempo.   De acordo com a montadora, as efetivações desse grupo foram avaliadas conforme as necessidades da produção para o mercado. Neste ano a estimativa da VW é produzir 225 mil veículos, 25 mil a menos que em 2008. "Eu agradeço a Deus por essa decisão dos trabalhadores, pois meu filho também trabalha aqui e é um dos que pode ser efetivado", disse Donizete Moreira, inspetor de qualidade há 25 anos na fábrica em Taubaté.   O presidente do sindicato, ligado à CUT, Isaac do Carmo, afirmou ser essa decisão uma grande vitória para os trabalhadores. "Não tenho duvida de que essa decisão vai ser referência para o Brasil e também para a Fiesp, Ciesp e outros sindicatos".    

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