Wall Street busca indícios de alterações na política monetária do Fed

Mais do que alterações na estratégia do BC dos EUA, o mercado espera obter alguma pista sobre a retirada dos estímulos

Altamiro Silva Júnior, correspondente da Agência Estado,

30 de julho de 2013 | 16h08

NOVA YORK - Wall Street não espera o anúncio de novidades na política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) na reunião dos dirigentes do banco que acaba nesta quarta-feira, 31. Mais do que mudanças, a expectativa maior é por qualquer alteração no tom do comunicado divulgado logo após o encontro, às 15h (pelo horário de Brasília), que dê pistas sobre os rumos da estratégia do Fed.

A reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), que começou hoje, não será seguida por entrevista de imprensa e nem por atualização de projeções macroeconômicas, de acordo com uma programação prévia divulgada pelo Fed. Por isso, a expectativa de surpresas se esvaziam, mesmo tendo o colunista do Wall Street Journal especialista em Fed, Jon Hilsenrath, falado na semana passada da possibilidade de anúncios de novos gatilhos de inflação e desemprego para o política monetária. Ao mesmo tempo, a chance de uma reação maior do mercado financeiro a qualquer mudança de tom do comunicado final da reunião aumentam, avalia o economista do Bank of America Merrill Lynch, Michael Hanson.

Os economistas esperam que o ritmo de compras de ativos continue em US$ 85 bilhões por mês e os juros permaneçam próximos de zero. No comunicado final do encontro, um dos consensos dos economistas é que o Fomc vai reforçar que o Federal Reserve depende totalmente dos próximos indicadores econômicos para mudar sua política.

Por isso, os números do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, que serão divulgados amanhã às 9h30 (pelo horário de Brasília), devem ser levados em conta nas discussões finais da reunião do Fomc, mas é o dado que sai na sexta-feira, sobre o mercado de trabalho em julho, que deve ter maior peso sobre a decisão de reduzir o ritmo de compras de ativos, avalia a economista do TD Bank, Ksenia Bushmeneva. "O Fed está olhando para frente, não para trás."

A expectativa é que o PIB venha fraco, crescendo apenas 1% no período, em valores anualizados, abaixo dos 1,8% dos primeiros três meses de 2013. Corte automático de gastos públicos, queda das exportações por causa da recessão na zona do euro e desaceleração do consumo devem contribuir para o menor crescimento. Muitos bancos rebaixaram recentemente as projeções de expansão do PIB para o segundo trimestre, como o Wells Fargo, HSBC, Barclays e Deutsche Bank. Ao mesmo tempo, projetam que o indicador volte a crescer na casa dos 2% no terceiro e quarto trimestre. Sobre o mercado de trabalho, a expectativa é que continue se expandindo em ritmo mais forte em julho, criando 185 mil vagas, de acordo com média das previsões do mercado feita pelo jornal Barron's.

Se havia um certo consenso em Wall Street de que a redução no ritmo de compras ia começar em setembro, algumas casas financeiras começam a apostar agora que a mudança pode ocorrer em dezembro. O economista do HSBC, Kevin Logan, argumenta em um relatório que o Fed, ao sinalizar que é dependente de indicadores em suas decisões, vai preferir esperar os números fechados do terceiro trimestre para ter certeza da recuperação da atividade em ritmo mais intenso antes de reduzir o ritmo de compras. Por isso, o banco acha mais provável mudanças a partir de dezembro.

Já o economista do Deutsche Bank, Brett Ryan, avalia que se o mercado de trabalho continuar bom também em agosto, o espaço para mudar as compras de ativos já em setembro aumenta. O banco prevê a criação de 200 mil vagas em julho. Na próxima reunião do Fomc, dias 17 e 18 de setembro, o banco central já terá os dados de emprego do próximo mês. Além disso, o Deutsche ressalta que nesta quarta-feira serão divulgadas a nova metodologia e a revisão nos números do PIB, que podem melhorar os números recentes e sinalizar que a recuperação está mais forte do que se imagina, o que também pode influenciar nas discussões internas do Fed.

Na semana passada, o Fundo Monetário Internacional (FMI) aconselhou mudanças nas compras de ativos a partir de dezembro ou no início de 2014, argumentando que os estímulos monetários ainda são importantes para a recuperação econômica norte-americana.

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