Wall Street considera suspender determinadas ações do pregão

Pela proposta, o circuit breaker seria ativado se uma ação fechasse com baixa de 20%

10 Outubro 2008 | 14h43

O Wall Street Journal destaca em sua edição eletrônica desta sexta-feira, 10, que a bolsa americana já discute suspender temporariamente as negociações com algumas ações. Trata-se de um tipo de circuit breaker para evitar posições de venda a descoberto de uma ação após forte queda em seu preço. A venda a descoberto permite que um investidor alugue uma ação para vendê-la e comprá-la, lucrando com a diferença, para então devolvê-la ao proprietário. Ao suspender temporariamente estes negócios, a Dow Jones pretende reduzir as operações de especulação.    Veja também:Bolsas derretem no mundo todo; Bovespa cai mais de 7%Bush receberá ministros do G7 na Casa BrancaComo o mundo reage à crise Reino Unido congela ativos do banco islandês LandsbankiFMI age para garantir crédito a emergentesConfira as medidas já anunciadas pelo BC contra a criseEntenda a disparada do dólar e seus efeitosEspecialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Pela proposta, o circuit breaker seria ativado se uma ação fechasse 20% abaixo do valor de fechamento na sessão anterior, afirmaram as fontes. No dia seguinte, ficariam proibidas as vendas a descoberto naquela ação durante três dias.  A idéia do circuit breaker tem sido discutida durante semanas. Os termos da proposta são os que atualmente estão sendo considerados pela NYSE Euronext, Nasdaq e SEC (agência reguladora do mercado americano). Representantes das bolsas e da SEC negaram-se a comentar. Nesta semana, expirou uma proibição temporária emitida pela SEC em setembro de vendas a descoberto de 1 mil ações de empresas do setor financeiro. A pior semana nos EUA O índice Dow Jones caminha para registrar a pior semana em seus 112 anos de história. O índice recuou mais de 600 pontos desde a abertura, com perdas lideradas pelo setor financeiro, que, no meio da manhã, também foi responsável por um breve período de recuperação. A divulgação dos resultados iniciais do leilão para definir a taxa de recuperação dos contratos de swap de proteção contra o risco de calote de bônus de dívida emitidos pelo Lehman Brothers levou o setor financeiro para baixo. O leilão definiu uma taxa de recuperação de 9,75 centavos por dólar na liquidação dos contratos de CDS do Lehman, sugerindo perdas aos detentores dos contratos. Também o Morgan Stanley foi responsável pela retomada das perdas, com especulações de que a instituição japonesa Mitsubishi Financial Group pode desistir de adquirir uma participação de 21% na instituição. As ações do banco caíam mais de 40% para US$ 4,98, seu menor preço desde o início da crise, lançando dúvidas quando à disposição de o banco japonês manter o compromisso de adquirir a participação a um valor por ação mais elevado. Segundo o acerto feito entre as instituições, o Mitsubishi concordou adquirir US$ 3 bilhões de ações ordinárias a US$ 25,25 e US$ 6 bilhões de ações preferenciais a US$ 31,00. No mercado de opções, estão sendo adquiridos contratos de venda das ações do Morgan Stanley a US$ 4,00. Nesta manhã, o Mitsubishi reiterou seu compromisso de injetar US$ 9 bilhões no Morgan. O setor de energia também é destaque de baixa, com a forte retração nos preços do petróleo puxando os papéis da Chevron (-5,64%) e da ExxonMobil (-7,84%) em considerável baixa. O preço do petróleo em Nova York registrava queda de 6,77% para US$ 80,77 o barril na Nymex eletrônico. Na mínima, operou em US$ 78,61 o barril. As ações da General Motors também avançam (+1,2%), depois de despencarem ontem. A General Motors afirmou nesta sexta-feira que não estuda pedir concordata, apesar das quedas de suas vendas e da crise no mercado de crédito, que derrubaram as ações da montadora norte-americana para os menores níveis em quase seis décadas. Queda de 40% no ano Em Nova York, o índice Dow Jones já registra uma queda de quase 40% em 12 meses. Estudo da Economatica mostra que a bolsa americana atingiu a sua maior pontuação histórica no dia 9 de outubro de 2007 com 14.165 pontos. Ontem, o índice fechou em 8.579 pontos o que representa queda de - 39,4%. Nesse mesmo período, 1231 empresas americanas analisadas pela Economatica perderam US$ 7,3 trilhões e valor de mercado, sendo o Setor de Finanças e Seguros o mais castigado com queda de US$ 1,8 Trilhões queda de 54,9%, seguido pelo setor de Eletro Eletrônicos com queda de US$ 1,08 trilhões que representa uma desvalorização de 46,4% em um ano. As empresas norte-americanas que tiveram maiores quedas nominais no período de um ano foram a General Electric com queda de US$ 235,6 bilhões, o que representa um recuo de 55,5%; a a American Int Group com queda de US$ 173,4 bilhões, representando uma queda de 96,4% do seu valor de mercado.

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