Wall Street elogia intervenção no Banco Santos

A intervenção no Banco Santos, realizada pelo Banco Central na sexta-feira passada, não preocupou os analistas e investidores estrangeiros em Wall Street. Na realidade, a ação do BC foi bastante elogiada. "Não há o risco de uma crise sistêmica com a intervenção do Banco Santos. Aliás, os investidores vão encará-la como um episódio isolado", afirmou à Agência Estado o diretor de pesquisa para mercados emergentes da CreditSights, Christian Stracke. Segundo ele, o Banco Santos é uma instituição bastante pequena, e a intervenção não representará perigo para o todo sistema bancário brasileiro. "O tamanho do Banco Santos nem de longe chega aos níveis dos grandes bancos privados brasileiros. Então, a dor de se congelar os depósitos dos clientes do banco, cujo volume de R$ 1,8 bilhão é bastante pequeno comparado com o M2 (medida de oferta monetária) de R$ 450 bilhões, será bastante limitada em termos do sistema bancário. Além disso, são apenas depósitos de 700 clientes e não de milhares e milhares de depositantes", explicou Stracke. Para ele, o sistema bancário brasileiro é relativamente sólido. "Nesse sentido, foi importante o Banco Central intervir no Banco Santos, pois mostrou que a autoridade monetária está vigilante, além de ser capaz de intervir num banco cujo dono tinha conexões políticas", afirmou. Na opinião do economista-chefe para América Latina do banco HSBC, Paulo Vieira da Cunha, a intervenção no Banco Santos, realizada na sexta-feira passada pelo Banco Central, não deve causar nervosismo nos investidores estrangeiros quanto à solidez do sistema bancário brasileiro. "Será visto como um evento isolado", disse Cunha à AE. Segundo ele, a notícia não pegou o mercado financeiro de surpresa, pois já havia rumores das dificuldades do Banco Santos de cumprir com o recolhimento do depósito compulsório junto à autoridade monetária. "Além disso, é um banco pequeno e de poucos clientes", acrescentou. Cunha ressaltou que, pelo contrário, a intervenção no Banco Santos será vista pelos investidores estrangeiros como um fortalecimento do sistema bancário brasileiro. "Mostra a capacidade do BC de atuar preventivamente", disse. Para Cunha, a intervenção do Banco Santos mostra como foi acertada a decisão do BC de mudar em abril de 2001 o sistema de pagamentos no Brasil. "O que teria acontecido, se ainda o velho sistema de pagamento estivesse em vigor, não se teria percebido tão rapidamente problemas de caixa no Banco Santos, pois o BC iria por algum tempo absorver a deficiência de recolhimento do compulsório do Banco Santos", afirmou.

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