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Wall Street está pessimista com leilões

É negativo o sentimento entre os analistas estrangeiros em relação aos leilões das bandas C, D e E do Serviço Móvel Pessoal (SMP). O adiamento do leilão da banda C, agora marcado para o próximo dia 6, não mudou a percepção dos analistas em Wall Street. O baixo número de interessados leva a crer que o governo deverá arrecar uma quantia próxima ao preço mínimo fixado. Praticamente ninguém arrisca um palpite de ágio. Pior ainda: a visão é de que o governo dificilmente atrairá novos operadores que pretendiam entrar no mercado brasileiro de telefonia celular.Deutsche - Na opinião do analista de telecomunicações do Deutsche Bank, Tucker Grinnan, o modelo de negócios criado pelo governo para o Serviço Móvel Pessoal (SMP) não é atrativo. "Só faz sentido, do ponto de vista econômico ou estratégico, para quem já tem investimentos no Brasil, seja na telefonia celular ou fixa, o que permite combinar a operação do SMP com ativos já existentes", explicou Grinnan. "Ou então no caso de uma operadora estrangeira poderosa que não se importe em não obter retorno no curto prazo e está desesperada para comprar uma posição no mercado brasileiro", acrescentou.Segundo ele, a única operadora que parecia "desesperada" para entrar no mercado brasileiro era a Vodafone, que acabou não participando das entregas de garantias. "Não acho que a Vodafone entre de novo no leilão, embora haja rumores de que eles estariam se unindo com um parceiro para isso", disse. Pouco interesse - Para o analista do Deutsche Bank, haverá poucos interessados nas concessões da banda C e provavelmente a Tele Centro-Oeste Celular deverá levar a licença da banda C pelo preço mínimo. Já para as licenças das bandas D e E, Grinnan acha que a competição será maior, uma vez que operadoras já existentes no mercado poderão participar do processo. O analista cita a Telemar, a Brasil Telecom e a Telecom Itália como os candidatos mais fortes para arrematar concessões nas bandas D e E. "Mas a parceria entre a Telefonica e a Portugal Telecom deverá reduzir as possibilidades de haver um ágio forte nas bandas D e E porque retira esses candidatos dos leilões", disse. Grinnan não acha que haverá ágio significativo no total. "Ao fazer os editais, o governo estava mais interessado em arrecadar mais dinheiro com as concessões do que criar um modelo de negócios atrativo para o SMP", explicou.Dresdner - Para o analista de telecomunicações do Dresdner Kleinwort Benson, Pat Jurczak, o adiamento do leilão da banda C não deverá causar nenhuma mudança significativa em termos do número de participantes ou em suas estratégias para o leilão. "A maioria das operadoras internacionais foi desencorajada pelo preço mínimo elevado fixado pelo governo brasileiro para as concessões das bandas C, D e E", afirmou Jurczak. Além disso, o edital deu uma vantagem grande para as empresas que já operam no mercado brasileiro em relação àquelas que desejariam entrar no negócio de telefonia celular no País. O analista não acredita que o governo conseguirá arrecar qualquer ágio sobre o preço mínimo fixado para as concessões. Para Jurczak, a Telecom Itália é uma forte candidata para ficar com uma das concessões.

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