Wall Street prevê postura ´comedida´ sobre juros

O Banco Central deve manter a postura "comedida" que tem caracterizado a condução da política monetária doméstica, segundo a maioria dos analistas em Wall Street ouvidos pela Agência Estado.Para os especialistas, haveria espaço para que o Comitê de Política Monetária (Copom) implementasse um corte mais amplo da taxa básica de juros (Selic, atualmente em 17,25% ao ano) no encontro desta semana, mas a autoridade monetária deve ter um fôlego para poupar munição valendo-se da inclinação declinante da curva dos juros de longo prazo.Na avaliação do vice-presidente sênior e estrategista da Lehman Brothers, John Welch, o Copom deve cortar a Selic em 0,75 ponto porcentual nesta semana."Poderiam fazer mais", disse o analista ao enumerar que as expectativas de inflação estão alinhadas com a meta do BC, os níveis de atividade econômica apresentam recuperação e "as condições monetárias estão muito apertadas". Contudo, ele acrescenta que "a taxa de câmbio está forte e a curva de juros tem está declinante".Desta forma, avaliou, os juros já baixam em termos absolutos e, então, o Copom deve ver o fato como uma oportunidade para manter constante a velocidade de queda da Selic e assim não perder o controle sobre o ritmo de redução do juro.Paulo Vieira da Cunha, professor visitante da Columbia University (NY), ponderou que o BC tem dado dicas de que está em um processo de redução gradual do juro em movimentos de 0,75 ponto porcentual de redução, e afirmou que não vê razão para mudança de trajetória neste momento."(O BC) deve continuar ancorando as expectativas de médio prazo e deve continuar dando ao mercado uma trajetória estável (dos juros)." Cunha também citou a curva do juro de longo prazo ao destacar que "a declividade da curva tem se acentuado".RepiqueQuanto ao comunicado do Copom, os analistas esperam que seja mencionado que a alta da inflação em janeiro configurou-se em apenas um repique e que agora os índices mostram bom comportamento. No front da atividade, a expectativa é que a autoridade monetária cite percepção de melhora à frente, assim como deve mencionar o nível sólido da confiança do consumidor.Para os especialistas, o BC deverá enfatizar no comunicado a continuidade do ritmo de queda do juro nos moldes do que vem sendo experimentado nos últimos meses.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.