André Dusek|Estadão
André Dusek|Estadão

Wall Street vê escolha como 'decepção’

Analistas estrangeiros temem que haja um relaxamento na política fiscal

Altamiro Silva Junior, correspondente, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2015 | 22h54

NOVA YORK - A escolha do ministro, Nelson Barbosa, para assumir o lugar de Joaquim Levy no Ministério da Fazenda foi inicialmente recebida com reservas e decepção por economistas nos Estados Unidos. Um dos temores é que haja um relaxamento na política fiscal, o que desagradaria ainda mais as agências de classificação de risco e os investidores estrangeiros.

Os economistas da consultoria de risco político Eurasia, com sede em Washington, Christopher Garman e João Augusto de Castro Neves, já esperavam que a substituição de Levy seria feita por uma solução interna e avaliam que nomes como o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, ou o ministro do Desenvolvimento, Armando Monteiro, seriam vistos pelo mercado financeiro como mais comprometidos com o ajuste fiscal do que Barbosa.

Em Wall Street, um dos indicativos de que a escolha de Barbosa não agradou os investidores é a queda dos papéis ligados ao Brasil, como o maior fundo de índice de ativos do país, o iShares MSCI Brazil, conhecido pela sigla EWZ e com patrimônio de US$ 1,8 bilhão, recuava 4% no início da noite desta sexta-feira. Outro fundo, com menor patrimônio, de US$ 42 milhões, o Direxion Daily Brazil Bull Shares tinha perda de 12%.

Relaxamento. “Barbosa vai ser interpretado como uma decisão do governo de relaxar a política fiscal", afirmam os dois analistas da Eurasia em uma nota. O ministro já trabalhou no governo de Luiz Inácio Lula da Silva e é mais próximo do PT que Levy. Inicialmente, a consultoria esperava que Levy fosse deixar o governo após a votação do processo de impeachment na Câmara.

Para os economistas do banco de investimento Brown Brothers Harriman, com sede em Nova York, o nome de Barbosa é um “mau desenvolvimento” para a política econômica brasileira. Um dos temores é uma guinada mais à esquerda na economia, como quer parte do PT e dos movimentos sociais, que não gostavam de Levy.

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