Warren Buffett investe nas notícias locais

O jornal 'The Buffalo News', do investidor, consegue se manter lucrativo, apesar do declínio do setor

CHRISTINE HAUGHNEY, THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2012 | 03h08

No decorrer dos anos, os proprietários de jornais erigiram monumentos para si próprios na forma de edifícios gigantescos, estátuas e placas comemorando seu papel nas comunidades e no país de um modo geral. Na sede do jornal The Buffalo News, o único sinal visível do proprietário é uma pequena fotografia pendurada na sala do diretor, Stanford Lipsey, assinada: "Para o melhor nesta área. Warren".

Warren, naturalmente, é o bilionário Warren Buffet, mas a modéstia da sua presença física no jornal - ele não visitou a redação do jornal nos últimos oito anos - não representa bem o seu interesse no jornal, comprado em 1977 por sua empresa, a Berkshire Hathaway.

A opinião de Buffet sobre jornais tem sido um tema quente nos últimos tempos. Três anos depois de informar seus acionistas que não compraria nenhum jornal, o bilionário se lançou vigorosamente nessa área, comprando 63 jornais locais e tendo uma participação de 3% na Lee Enterprises, uma cadeia de pequenos jornais locais, com sede em Iowa.

Numa carta enviada por Buffet a diretores e editores de todos os jornais diários da Berkshire Hathaway, ele se descreveu como um "viciado" em jornais e disse que pretende adquirir mais periódicos no futuro. Embora tendo menos certeza quanto à maneira de tornar os jornais lucrativos nesta era digital, ele se disse confiante de que em algumas cidades os jornais florescerão.

"Não tenho nenhuma receita secreta", disse ele numa entrevista por telefone. "Ainda existem 1.400 jornais diários nos Estados Unidos. A parte boa é que alguém pode pensar na melhor resposta e podemos copiar sua ideia. Dois ou três anos à frente e você verá um esquema melhor definido de operações online e impressas".

Para seus novos funcionários, o melhor indicativo do que Buffet poderá fazer é o que ele fez com o Buffalo. Entrevistas realizadas com vários editores dão uma imagem de um jornal lucrativo administrado sem muito envolvimento do proprietário.

Local. Alguns jornalistas dizem que os donos resistirão enquanto puderem a comprar máquinas impressoras mais modernas e que gostariam que o jornal dedicasse mais recursos a um jornalismo altamente ambicioso que conquiste os maiores prêmios. Mas muitos concordam que os donos não economizam na hora de enviar jornalistas para reuniões na cidade ou num jornalismo local empreendedor, que está de acordo com a opinião de Buffet sobre jornais concentrados em assuntos locais. "Em Grand Island, todos se interessam pelo que a equipe de futebol faz. Querem saber quem se casou. E, mais ainda, quem se divorciou", disse Buffet.

Mas pertencer à Berkshire Hathaway não protegeu o jornal do declínio observado no setor. Em 2011, o jornal registrou um lucro de US$ 9,3 milhões, a primeira vez que os lucros caíram para menos de US$ 10 milhões em 25 anos. Desde 2009, quase 100 postos de trabalho foram cortados - incluindo as salas de redação e departamentos de classificados, auditoria, contabilidade e circulação. A redação conta hoje com 140 jornalistas. Os cortes, no entanto, foram feitos principalmente por programas de demissão voluntária. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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