Washington e Pequim voltam a discutir divergências

Em paralelo ao esforço para expandir negócios entre suas companhias, Estados Unidos e China enfrentarão hoje suas divergências em torno da valorização do yuan e da pretensão de Pequim de tornar sua moeda o padrão monetário internacional, em substituição gradual ao dólar. A tensão no campo econômico-comercial será abordada em um encontro reservado entre os presidentes Barack Obama, dos EUA, e Hu Jintao, da China, marcado para hoje na Casa Branca.

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2011 | 00h00

"Leva tempo para uma moeda nacional ser amplamente aceita no mundo. A China deu uma importante contribuição ao mundo econômico em torno de produção e comércio, e o renminbi (yuan) teve um papel no mundo em desenvolvimento", afirmou Hu Jintao à imprensa americana. "Mas, tornar o renminbi uma moeda internacional será um processo bastante longo."

Medidas recentes da autoridade monetária, o Banco do Povo da China, confirmam a intenção de seguir nesse caminho de longo prazo. Em 2009, companhias do país foram autorizadas a usar o renminbi em suas operações comerciais, para reduzir o vínculo da moeda chinesa ao dólar. Segundo Hu, essa iniciativa foi uma resposta à crise e permitiu a rápida expansão do comércio e dos investimentos chineses. No dia 13, essa autorização foi ampliada para investimentos de empresas chinesas no exterior.

A medida foi adotada no dia seguinte ao mais recente apelo do secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, por novas medidas para a valorização do renminbi. "Nós acreditamos que é de interesse da China permitir uma valorização mais rápida, em resposta às forças do mercado", disse Geithner, logo depois de apontar o aumento real de 10% no valor da moeda chinesa em relação ao dólar em 2010.

Embora não esteja ainda certa a divulgação de um comunicado conjunto deste segundo encontro entre o presidente chinês e Obama, há expectativa em torno de um documento sobre comércio bilateral. Mas, dificilmente, o texto envolverá compromissos substanciais na área monetária.

Aliada à Europa e a outros países emergentes, como o Brasil, a China critica a decisão do Federal Reserve (Fed, o BC americano) de compra de US$ 600 bilhões em títulos do Tesouro dos EUA neste semestre.Anunciada como medida de estímulo à economia dos EUA, ainda sob ameaça de nova recessão e de deflação, o aumento da base monetária americana é avaliado pela China como uma espécie de declaração de guerra cambial.

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