Washington pressiona Bruxelas para reforma agrícola

A dois dias do encontro bianual entre Estados Unidos e União Européia (UE) para discutir os principais temas comerciais e políticos, que pontuam a relação dos dois líderes do comércio mundial, autoridades diplomáticas norte-americanas afirmaram hoje à Agência Estado que "a bola agora está no campo europeu", atribuindo à UE a responsabilidade de desbloquear as negociações agrícolas no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), dentro do Ciclo de Doha. A Casa Branca tenta fazer pressão sobre os países membros para que fechem um acordo esta semana para a reforma da Política Agrícola Comum (PAC), que cortaria parte dos subsídios europeus.Fontes oficiais responsáveis pelo comércio norte-americano, em Bruxelas, reforçaram que a chave para o progresso significativo (de Doha) é a agricultura e "que o grupo portador desta chave é a UE". Essas fontes disseram que tanto os norte-amercianos, quanto "outros observam o progresso da reforma da PAC (referência às discussões desta semana, em Luxemburgo), o que permitirá maior flexibilidade" junto a OMC. Esses diplomatas de Bruxelas reiteram a mensagem ofensiva do representante de Washington para temas comerciais, Robert Zoellick, este fim de semana, no Egito, durante a reunião ministerial da OMC. Zoellick disse que está nas mãos da Europa "o sucesso ou fracasso" das negociações multilateriais.A questão é que as declarações norte-americanas reforçam a posição do comissário europeu de agricultura, Franz Fischler, que também gostaria de reformar a PAC antes da reunião ministerial de Cancún, em setembro. De acordo com o comissário, a reforma "daria vantagens de força à UE para fazer valer suas reivindicações de agricultura durável". A dificuldade é que a maioria dos países membros, principalmente a França, já preveniu que "recusará qualquer risco de pagar a reforma duas vezes", uma vez em junho, na ocasião do acordo europeu, e a outra vez, em Cancún.Liberalização comercialOs dois gigantes do comércio mundial, respondendo por quase a metade das trocas do planeta, ou por cerca de US$ 750 bilhões (US$ 470 bilhões em bens e US$ 280 bilhões em serviços), também discutirão a liberalização das rotas aéreas transatlânticas, o que poderá abrir portas futuras para fusões entre companias aéreas. Ainda estará sobre à mesa, temas ligados à propriedade intelectual e medidas anti-dumping.Em Genebra, os EUA anunciaram, semana passada, que pedirão painel (comitê de arbitragem) contra a política comunitária de autorização para produtos com organismos geneticamente modificados (OGMs), os transgênicos. Do outro lado, a UE assegura que pedirá consultas formais sobre a forma de cálculo norte-americana de aplicação para medidas anti-dumping.Fontes da Comissão afirmam que a UE "cobrará o respeito dos EUA a uma série de decisões da OMC, que estão sendo desconsideradas por Washington". Exemplo emblemático: Bruxelas quer o fim do sistema "Foreign Sales Corporation (FSC)", que é o regime de ajudas fiscais aos exportadores, considerado pela OMC, em 2001, como uma forma de subsídio disfarçada. A Comissão alega que várias empresas americanas têm se servido do regime de ajudas fiscais à exportação, como a Boeing, gigante fabricante de aviões.

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