Weibo, o Twitter chinês, atrai instituições e empresas globais

Com serviços ocidentais bloqueados pelo governo chinês, o Weibo torna-se o ponto de contato com a classe média do país

XANGAI, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2011 | 03h07

O que o Fundo Monetário Internacional, a Louis Vuitton e a Unilever têm em comum? Eles estão entre as muitas instituições ocidentais que aderiram ao Weibo, uma espécie de Twitter chinês, que tem rapidamente se tornado o lugar certo para promover produtos e ideias entre um público gigantesco e cada vez mais importante.

Twitter, Facebook, YouTube e outras plataformas estrangeiras das mídias sociais são bloqueadas na China pelo governo, temeroso de que o acesso irrestrito à internet abale o poderio do Partido Comunista.

Por isso o Weibo - com cerca de 250 milhões de usuários, a maioria com boa formação e empregados em escritórios - está se tornando uma grande influência na sociedade chinesa. O site é operado pela empresa Sina.

"O Sina Weibo está se tornando o bebedouro nacional da China", disse Sam Fleming, fundador da CIC, consultoria de Xangai especializada em mídias sociais. "É onde as pessoas partilham notícias, fofocas. Se você quiser ver o que está acontecendo na China, abra a sua conta do Weibo."

Foi o que fez, na semana passada, Christine Lagarde, chefe do FMI. "Aos meus amigos que falam chinês, eis uma tradução da minha declaração na cúpula da Apec (bloco comercial de países da Ásia/Pacífico)", escreveu Lagarde a seus mais de 120 mil seguidores na segunda-feira.

As mídias sociais são cada vez mais importantes para empresas como Ford e Nestlé, que têm aumentado sua verba publicitária na internet. Além disso, o Facebook é uma ferramenta poderosa para entender o que seus usuários curtem ou não.

Agora, essa tendência chega à China. Com o Weibo, as empresas conseguem falar diretamente com o público chinês.

"É a forma mais rápida de se comunicar com as plateias chinesas", disse Rand Han, diretor de estratégia da Resonance China, agência digital de mídias sociais com sede em Xangai. "Quando a coisa é bem feita, as multinacionais podem rapidamente localizar seus mercados-alvo, reunir informações a partir de dados disponíveis, e começar a se conectar com uma significativa redução de custos em relação à mídia tradicional."

Expansão. Para empresas e marcas como Louis Vuitton, Unilever e Coca Cola, a China, com sua pujante classe média, é um mercado em rápida expansão, e compreendê-lo por meio do Weibo é essencial para adequar a mensagem. "As marcas multinacionais veem o Weibo como uma oportunidade imediata de estabelecer um canal direto com seus consumidores na China", disse Zaheer Nooruddin, estrategista digital da Burson-Marsteller. / REUTERS

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