Weidmann critica programa de compra de bônus do BCE

O presidente do banco central da Alemanha (Bundesbank) e membro do conselho do Banco Central Europeu (BCE), Jens Weidmann, repetiu suas críticas ao novo programa de compra de bônus do BCE em comentários publicados nesta sexta-feira em um jornal alemão. Ele alertou contra o que definiu como tendência crescente dos países da zona do euro em dividir riscos.

AE, Agencia Estado

21 de dezembro de 2012 | 09h09

"Temos nos colocado em uma corda bamba com o programa de compra de bônus", disse Weidmann.

O presidente do BCE, Mario Draghi, anunciou em setembro que o banco central vai comprar bônus em quantidades ilimitadas dos governos em dificuldade da zona do euro, em um programa conhecido como Transações Monetárias Completas (OMT, na sigla em inglês). Mas o BCE também afirmou que os países devem primeiramente se candidatar à ajuda dos fundos de resgate da zona do euro, o que envolve um programa de reformas fiscais.

Segundo Weidmann, as condições atreladas ao uso do OMT não são inteiramente confiáveis. "A pressão do mercado se intensifica quando os países fazem reformas. Ou você se recusa a comprar bônus e assiste a crise aumentar, ou você abandona as condições", afirmou. "Devemos interpretar nossas funções com cuidado para não sermos colocados em uma situação comprometedora." Ele acrescentou que a função do BCE se limita a garantir que a inflação da zona do euro permaneça abaixo de 2%.

"Ainda que o simples anúncio do OMT fosse suficiente para acalmar os mercados, eu não mudaria minha opinião sobre o programa", disse. Weidmann alertou também sobre a cada vez maior divisão de riscos entre países da zona do euro e pressionou os governos a não flexibilizarem as condições para ajuda financeira.

Em relação ao papel recentemente definido do BCE como único supervisor bancário, Weidmann afirmou que ainda não acredita que o problema da separação da função supervisora do banco e de sua política monetária esteja resolvido. "Em nosso ponto de vista, é muito importante evitar conflitos de interesse entre a supervisão do banco e sua política monetária. E não vejo isso como questão resolvida ainda", disse.

Ele acrescentou, ainda, que o BCE deve encerrar sua política monetária acomodatícia "a tempo" de evitar o descumprimento de sua função de controle da inflação. As informações são da Dow Jones.

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