Weidmann defende permanência de membros na z.euro

A zona do euro não é uma porta giratória de onde os países-membros podem sair facilmente, alertou Jens Weidmann, integrante do conselho diretor do Banco Central Europeu (BCE), em entrevista à revista alemã Capital. "Uma união monetária não é um clube de onde você pode sair facilmente e voltara a entrar", afirmou a autoridade.

AE, Agencia Estado

21 de agosto de 2013 | 08h42

O presidente do Bundesbank, o banco central alemão, destacou que, tendo em vista a forte interligação entre as economias da zona do euro, uma saída do bloco teria graves consequências até mesmo para a Alemanha, a maior economia da região.

Os comentários de Weidmann são feitos em um momento sensível para a Alemanha e a zona do euro. A um mês das eleições para escolha de um sucessor para a chanceler Angela Merkel, o ministro de Finanças do país, Wolfgang Schäuble, afirmou ontem em um evento de campanha que a Grécia vai precisar de um terceiro resgate internacional. A declaração, apesar de não ser inteiramente nova, é uma questão importante para os contribuintes alemães.

Enquanto isso, um partido contrário ao euro fundado no início deste ano vem provocando discussões ao sugerir que os países problemáticos do sul da Europa deveriam ser forçados a sair da união monetária. O partido, conhecido como Alternativa para a Alemanha, ou AFD, dificilmente conseguirá 5% dos votos totais necessários para entrar no Parlamento do país, mas pode tirar votos do parceiro menor da coalizão de Merkel, o Partido Liberal Democrata (FDP).

Weidmann também reiterou na entrevista sua preocupação com o programa de compra de bônus do BCE, conhecido como Transações Monetárias Completas (OMT, na sigla em inglês), argumentando que as compras "desfazem a linha que divide a política monetária da política fiscal" e põem em dúvida a independência do banco central da zona do euro.

Segundo Weidmann, são as reformas, e não o dinheiro do BCE, que vão criar empregos em uma região que está sofrendo com o desemprego alto, por isso os governos precisam ser pressionados a cumprirem seus compromissos em relação a isso. "Se nós diminuirmos essa pressão, reformas urgentemente necessárias serão adiadas", afirmou. Fonte: Dow Jones Newswires.

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