Werlang defende redução do compulsório

A aprovação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados no primeiro turno será fundamental para a melhora do otimismo do mercado doméstico. A avaliação foi feita pelo diretor-executivo do Banco Itaú e ex-diretor do Banco Central, Sérgio Werlang, em entrevista exclusiva para o site AE Financeiro, da Agência Estado. Para ele, a reforma da Previdência também é essencial para a sustentabilidade fiscal de longo prazo do Brasil. Sobre os compulsórios ? parcela de recursos que os bancos têm que recolher ao BC ? sobre os depósitos à vista, Werlang disse que, no Brasil, as taxas são muito elevadas. ?Temos 60% sem remuneração e 8% indexados à Selic, um volume muito alto em comparação com os compulsórios internacionais, de 15% Não há dúvida que, numa situação de normalidade, tenhamos que caminhar na direção da média internacional?, comparou. Ele lembrou que toda a queda de compulsório tem algum impacto na demanda da economia. ?O BC tem que balancear esta redução, mas é inevitável que isso ocorra em dois ou três anos. No curto prazo, há pouca coisa que reative a economia de maneira saudável, sem contar a redução das taxas de juros e dos compulsórios?, disse o diretor-executivo. CopomAinda sobre a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de hoje, de reduzir a Selic de 26% ao ano para 24,5%, Werlang disse que as expectativas de queda eram maiores por causa dos índices de preços que estão negativos há três meses e dados do consumo que têm apresentado deflação. O ex-diretor do BC salientou que os diretores devem ter optado por uma queda menor porque querem ter certeza que os próximos reajustes das tarifas públicas não serão repassados para o restante da economia. "A única observação que eu posso fazer é que, em 1999, a taxa estava em 27,5% e foi cortada em quase 5 pontos porcentuais em duas quedas, de modo que também eu não veria nenhum problema maior com uma queda mais rápida agora." O áudio da entrevista está disponível no site www.aefinanceiro.com.br/entrevistas.

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